terça-feira, 27 de março de 2012

Wesley no Verdão. E agora?

Com a chegada de Wesley, paira na cabeça de todos os torcedores palmeirenses a dúvida sobre o lugar onde Felipão irá escalá-lo. Esse post é apenas uma reflexão de como isso poderia ser feito. É muito provável que Felipão faça o que a maioria já suspeita: sacar João Vítor para a entrada do jogador.

Entretanto, com João Vítor (JV) se encontrando na posição de segundo volante pela direita, mostrando bom futebol e se apresentando regularmente, sem oscilar, Felipão tem uma árdua tarefa na escalação do time. Como futebol é momento, talvez essa situação com o jogador pudesse ser "contornada". Logicamente, se o jogador não sai e o Wesley entra, alguém teria que ser sacado. Pelo critério técnico, escolhi Márcio Araújo.

Esbocei três formações possíveis, sem tirar JV do time, apenas remanejando-o de lado, mudando para a esquerda. São, basicamente, as formações titulares utilizadas por Felipão no momento.

1) 4-3-1-2 (ou 4-4-2 losango, como preferirem)
Deola; Cicinho, Leandro Amaro, Henrique e Juninho; Wesley, Kid e João Vítor; Daniel Carvalho; Maikon Leite e Barcos.

Time no 4-3-1-2, nossa formação "padrão"

Já conhecemos as virtudes dessa formação. Posse de bola no meio, apoio forte dos laterais, Maikon "flutuando" em volta de Barcos, Daniel comandando as jogadas de ataque. 

A vantagem ofensiva de termos apenas um armador nesse esquema é que ganhamos em objetividade. Defensivamente, duas virtudes: o risco de perdermos a posse no ataque é menor (meias são jogadores que atuam no campo de defesa adversário, onde a marcação é mais acirrada e tendem a perder mais a bola) e além disso ganhamos um jogador de marcação. Aliás, meias dificilmente marcam. Quando tentam algo nesse sentido, acabam fazendo mal e muitas vezes cometem faltas por não ser sua especialidade.

Embora Márcio Araújo seja um pouco melhor no aspecto defensivo que JV, no apoio é bastante inferior ao volante. Mesmo que o time fique mais exposto pela esquerda, balanceamos no ataque. Com Wesley na direita, teremos um apoio ainda mais forte pela direita. Resumindo, os dois lados do time atacariam continuamente.

2) 4-3-2-1
Deola; Cicinho, Leandro Amaro, Henrique e Juninho; Wesley, Kid e João Vítor; Daniel Carvalho e Valdívia; Barcos.

4-3-2-1, nossa formação ofensiva

É a nossa formação ofensiva atual. Combina o melhor do 4-3-1-2, com a posse no meio e a subida de laterais, mais os dois meias infernizando a zaga adversária e municiando o pirata. Felipão usou essa formação contra a Ponte Preta, e apesar do placar não ter sido "elástico" (acabou em 2 a 1 para o Verdão), o time mostrou um futebol vistoso que encheu os olhos do torcedor com as jogadas em profundidade e tabelas dos dois magos, levando muito perigo à defesa da macaca (veja análise do blog ).

É uma formação a ser utilizada com cautela, em determinados momentos, por exemplo, quando estamos precisando de resultado, quando estamos atrás no placar, etc. Essa formação expõe consideravelmente o time aos contra-ataques e, além disso, se os titulares nessa formação são jogadores de alto nível, o mesmo não se pode dizer dos reservas. Carmona é o melhorzinho. Se um deles machucar, f*deu.

3) 4-2-1-3 (4-3-3), nossa formação antiga
Deola; Cicinho, Leandro Amaro, Henrique e Juninho; Wesley e Kid; Daniel Carvalho; Maikon Leite, Barcos e Luan.
4-2-1-3 (4-3-3), nossa formação antiga

Por essa, aposto que você não esperava. Com tantos reforços dando certo, é compreensível. Em pouco tempo, um certo atacante que atuava pela esquerda voltará do período de recuperação. Foi um jogador que custou caro ao time, ou seja, provavelmente voltará a ser utilizado pelo Bigode, caso sua recuperação seja bem sucedida. Foi pedido do técnico.

A formação com o time no 4-2-1-3, quando perde a bola e força o recuo de Luan pela esquerda para recompor o meio, é praticamente idêntica à formação atual no 4-3-1-2. Luan faria o papel de Márcio Araújo pela esquerda e Wesley o de João Vítor pela direita.

É uma formação forte, por dois motivos. É bem sabido que se Luan não finaliza bem, o mesmo não se pode dizer do seu papel defensivo. Ou seja, a recomposição do meio acontecerá tranquilamente, fato. O outro motivo é que se Luan apoia o ataque, ficaríamos em tese mais fortes que as formações atuais com 2 atacantes, tendo 3 na frente. Vantagem numérica clara.

É uma formação a ser testada e apesar da rejeição ao jogador ser grande, acho muito possível que Felipão escale o time dessa forma.

domingo, 25 de março de 2012

Palmeiras 1 x 2 Apagão

Palmeiras 1 x 2 Corinthians
25/03/2012
São Paulo

O time armado por Felipão foi o mesmo que vem rendendo bem nas últimas partidas. 4-3-1-2, com Valdívia armando e Maikon Leite e Barcos na referência. Tite veio no 4-3-3, Danilo como único armador, Liedson na referência, Jorge Henrique e Emerson pelas pontas.

Onze iniciais no 4-3-1-2

Curintia no 4-2-1-3 (4-3-3)

Como era de se esperar, o time do Corinthians ia forçar pelo lado de Juninho, que normalmente atua muito avançado. Logo de início, Edenílson avançou bem ao ataque, trabalhando com os recuos de Liedson e com as tabelas de Emerson. Por algum momento eles conseguiram manter a posse no ataque, mas com três atacantes, a exposição no meio-campo é inevitável.

Quando a bola do Palmeiras conseguiu chegar à linha de volantes, era muito bem trabalhada e dificilmente recuava. Tocando inteligentemente a bola, o time pressionava bem e chegava com qualidade. Barcos, aos 9', recebendo lançamento de João Vítor livre na grande área, cabeceou para fora. Apesar de alguns avanços do adversário, o time de Tite seguia previsível e sem muita criatividade. Sem que as jogadas de Danilo conseguissem passar pela marcação forte no meio, o time apelava para os lados do campo. Ou o time arriscava a correria pela nossa ala esquerda, ou fazia o chuveirinho com cobranças de Chicão. É claro que a estratégia do chuveirinho só seria viável cavando muitas faltas na intermediária. E foram muitas.

Porém, era dia de Valdívia. Jogando muito e conduzindo bem o jogo pelo meio, mesmo com uma marcação acirrada, conseguiu traduzir a boa forma aos 17', quando se livrou de vários marcadores e deixou Assunção livre para disparar um chutaço do meio da rua, que desviou em Castán antes de entrar no gol do mão de alface Júlio Cesar. Verdão, 1x0!

O jogo esquentou depois do gol do Verdão e o time adversário logo abriu a caixa de ferramentas. Em uma jogada maldosa aos 25', já paralisada por impedimento, Liédson não dominou bem o lançamento e deixou o pé no peito de Deola. Cartão amarelo para o jogador. 

Aos poucos, a qualidade sobressaía. Aos 32', Barcos, pela direita, enfiou a bola para Valdívia que, endiabrado, driblou Júlio César. Desequilibrado, chutou na rede pelo lado de fora. Mantendo a coerência, outra falta maldosa para cada jogada perigosa do Verdão. Chicão foi com a sola na canela de Barcos aos 35'. Amarelo para ele.

Depois de muita catimba do Verdão e faltas para os dois lados, além de inversões táticas de Tite que em nada funcionaram, como inverter Emerson e Jorge Henrique, e de Felipão, com João Vítor invertendo de lado com Márcio Araújo, o jogo se arrastou aos 48' sem muitas jogadas de efeito.

Segundo tempo
Os gambás marcaram logo de início, em lançamento de Jorge Henrique para dentro da área aos 3'. A bola tocou no braço de Márcio Araújo e sobrou para Paulinho completar. Aos 6', mesma jogada, nova falha de Márcio Araújo, que desta vez marcou contra. Verdão, 1x2.

Em um clássico disputado como esse, tomar a virada em apenas 6 minutos abala o emocional do time. Aproveitando-se disso, o Corinthians avançou a marcação e deu sufoco. Felipão, em uma decisão difícil, decidiu colocar Ricardo Bueno em campo para pressionar o ataque. Entre os dois jogadores que não estavam bem na partida, Maikon e Márcio Araújo, decidiu sacar o atacante. Maikon deixou o campo sem cumprimentar Felipão, indo direto aos vestiários.

O time seguiu pressionado pelo Corinthians, que atuava em cima do nervosismo do time. Sem o mesmo domínio que caracterizou o primeiro tempo, levamos várias oportunidades de gol. Aos 15', Emerson em boa jogada pela esquerda, passou facilmente por Leandro Amaro e tocou para dentro da área. Liédson chutou mas Juninho salvou o time do terceiro gol, em cima da linha. Aos 19', Edenilson fintou Kid em boa subida ao ataque e chutou forte. Deola, em outra defesa espetacular, salvou o time. Aos 23' quase empatamos em boa subida de Cicinho, que bateu cruzado, a bola desviou na defesa corinthiana e Valdívia ficou com a sobra, finalizando por cima do gol.

Aos 24', Felipão tirou Cicinho, com dores, para colocar Carmona no jogo. Com isso, recuou João Vítor para a lateral direita enquanto o meio ganhava em criatividade. Sem um jogador de velocidade e o jogo afunilado, o ritmo caiu e o Verdão cresceu na partida. Os corinthianos preocupavam-se mais em catimbar e administrar o resultado, cavando faltas e isolando passes errados do time. Até o gandula ajudava.


Mesmo com João Vítor na lateral, o Corinthians continuava conseguindo trabalhar nas costas do lateral improvisado. Com isso, Felipão fez a última alteração que restava aos 36', trocando João Vítor por Artur. Apesar da entrada de Carmona ter sido produtiva, gerando algumas oportunidades de gol, a de Ricardo Bueno não. Sem trazer grande perigo, atuou longe da meta, congestionou o ataque, segurou muito a bola em alguns momentos, errou passes e ainda levou amarelo. 

Com o adversário recuado, o time não conseguiu aproveitar as poucas chances que sobraram no ataque. Restou ao Verdão apostar nas bolas paradas de Marcos Assunção, mas a estratégia não vingou. Final de jogo no Pacaembu, com o Corinthians vencendo o clássico.

Considerações
Se você comparar o time do primeiro tempo contra o time do segundo tempo, verá dois Palmeiras, idênticos em formação e tática (até porque, para o segundo tempo, não houveram alterações), porém completamente diferentes. No primeiro tempo, um time com passe cadenciado, inteligente e com domínio da posse de bola. Uma atuação de gala de Valdívia (o que não mudou durante os 90'). Depois dos gols, o time perdeu o emocional e o jogo. Como um time que joga melhor por 45 minutos pode passar a jogar pior de uma hora para a outra?

No 4-3-3 com Emerson e Jorge Henrique, a proposta de Tite era clara. Abrir pelas laterais, explorando principalmente as costas de Juninho, inicialmente, e depois as de Cicinho, dois laterais que sobem muito ao ataque. Em geral, a estratégia funciona bem no contra ataque, porque é o momento em que a defesa adversária está vendida e há vantagem numérica. Com três na frente, é claro que o time vai dar sufoco quando estiver com a posse no ataque. Com a virada logo no começo do segundo tempo, uma combinação nefasta aconteceu: o apagão do Palmeiras somado ao empolgamento do Corinthians, vulgo "marcação adiantada". Com a marcação na frente, explorando o emocional abatido do nosso time, forçando o erro, o time adversário conseguiu segurar a bola no ataque, pressionando pelo terceiro gol.

Agora, se me questionarem se isso foi decisivo para o jogo, certamente responderei que não. Em geral, nosso time foi superior no meio-campo, a peça chave para qualquer jogo. Foram as subidas de Edenilson, as jogadas de Danilo (teve alguma?), algum dos três atacantes, o fator que decidiu o jogo? Não. Foram falhas individuais, nossas, que decidiram a partida. Se não tivéssemos tomado os gols, todo o resto constante, seríamos superiores no segundo tempo. Então a vitória não foi mérito de Tite.

Márcio Araújo falhou nos dois lances de gol. Isso é claro. Mas o time inteiro "apagou" depois dos gols. As falhas individuais deram espaço à falha emocional coletiva, muito mais grave. Com a bola no campo de defesa e a marcação avançada do Corinthians depois dos gols, devíamos chutar a bola para o campo de defesa deles e não tentar sair jogando. Quando acordamos, já era tarde.

As alterações de Felipão pouco alteraram o panorama do jogo. Com o cansaço - o time alvinegro funciona na base da correria - veio o domínio. Porém, tirar Maikon (ou qualquer outro jogador) para a entrada de Ricardo Bueno é sempre um erro, ainda mais quando Maikon, mesmo que errando muito, estivesse com disposição para jogar, o que foi evidenciado pela clara insatisfação ao ser substituído. Isso reduziu nossa velocidade na frente. A saída de Cicinho foi natural, estava lesionado. A entrada de Carmona foi sim um acerto, já que o Corinthians parou de pressionar e ficou recuado, o que configura um motivo a mais para atuar com um volante a menos.

Uma nota negativa fica para o ataque do time, que amarelou no clássico. Barcos levou pouco perigo à meta adversária, mesmo dando toques perigosos, como a enfiada para Valdívia, foi nulo no quesito finalização. Isso evidencia o que todos já sabiam. Nosso time não tem reservas à altura. Precisamos de mais um atacante. E dos bons.

De resto, segue a vida. Fomos superiores, mas perdemos no emocional. No mata-mata, não podemos vacilar desse jeito. Ainda há tempo para recuperarmos.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Copa do Brasil: Palmeiras 3 x 0 Coruripe

Palmeiras 3 x 0 Coruripe
21/03/2012
Jundiaí

Onze iniciais no 4-3-1-2
Primeiro tempo
Logo nos minutos iniciais o time dominou a posse de bola com o trio de volantes funcionando bem. Aos 3', em boa jogada com Juninho pela esquerda, a bola sobrou com Maikon dentro da grande área, mas o atacante foi bloqueado no chute. O time continuou pressionando e a bola não saiu do campo de defesa do Coruripe. Cruzamento após cruzamento, com Marcos Assunção, o time tentava marcar logo no começo para matar a partida, com muito perigo. Porém, com o Coruripe muito fechado, o time esbarrava no nervosismo. Marcava muitas faltas e o jogo esfriava, como queria o time alagoano. Até os 15', 0 a 0.

O time seguiu pressionando o Coruripe, mas sem a qualidade de um Valdívia ou um Daniel Carvalho, as jogadas realmente perigosas pelo meio eram escassas. Patrik não tem a mesma eficiência que os talentosos meias, e as jogadas por aquele setor sumiram. Sem alternativas por alí, o jeito era tentar os flancos, por onde Maikon e Barcos se esguelavam para tentar alguma tabela ou finalizar. A estratégia alagoano, entretanto, seguia firme e forte no contra-ataque, e com sucesso. Aos 33', falta na intermediária para o Coruripe. Na cobrança, Cleiton cobrou forte, e Deola, ligado na partida mesmo com poucas emoções, desviou. A bola ainda resvalou na trave antes de sair para escanteio. 

Depois do lance, o time seguiu pressionando e cedendo poucos espaços ao visitante, mas quando o cansaço batia acabava levando pressão por contra-ataques e lances de bola parada. Aos 45', no finalzinho, em boa jogada pela esquerda na base da velocidade, Maikon Leite se livrou do marcador e deixou a bola para Patrik finalizar. Entretanto, o jogador não pegou bem na bola e isolou. Patrik continuou omisso em todo o primeiro tempo, sumindo por muitos momentos. Quando apareceu, a jogada terminou nele.

Segundo tempo
Felipão aproveitou a virada de tempo para fazer alterações. Tirou Maikon Leite para a entrada de Ricardo Bueno e colocou Pedro Carmona na vaga de Patrik. A mudança de armador faz sentido, mas a saída de Maikon foi injusta. O atacante saía bem da área e todas as jogadas de ataque nasciam de suas jogadas. De qualquer forma, as substituições deram nova cara ao ataque do time com maior posse na frente e Carmona, mais objetivo e eficiente que Patrik, trabalhando com Ricardo Bueno, levou mais perigo ao gol de Juninho.

Time continua no 4-3-1-2 com as alterações. Finalizações caem em qualidade

Aos 9', falta na entrada da área para o Verdão. Dalí, para o Assunção é pênalti. E o ex-Betis guardou com uma facilidade inacreditável. Verdão, 1x0! Não demorou muito para que Assunção aparecesse novamente. Aos 12', em boa jogada pela direita, Ricardo Bueno encontrou Assunção pela direita. O pé direito privilegiado do jogador foi decisivo novamente, que praticamente colocou a bola na cabeça de Barcos. Sem pular, o argentino colocou a bola no contrapé do goleiro. Verdão, 2x0!

O jogo continuou com o Palmeiras levando muito perigo ao gol de Juninho, com muitos lançamentos no campo de defesa do Coruripe, que se lançava ao ataque deixando a defesa desprotegida. Aos 17', com o placar a favor do Verdão, Marcos Assunção deixou Pedro Carmona cobrar falta pela direita. O gaúcho quase colocou a bola no ângulo, mas o goleiro Juninho conseguiu defender. Apesar de algumas boas chances, quando a bola chegou ao campo de defesa do Palmeiras, o Coruripe, com a marcação avançada, buscando reverter o placar após o segundo gol, conseguiu manter a bola no campo de defesa do Verdão por tempo considerável entre os 20' e 30', mesmo sem levar perigo ao gol de Deola.

Uma hora, entretanto, o time tinha que chegar na frente. Mesmo com Carmona explorando bem os lados do campo, apesar da qualidade no meio, faltava o passe final. O time arriscava chutes de dentro e fora da área, sem levar muito perigo à meta adversária. Felipão tirou Barcos aos 34' e colocou Vinícius para dar mais velocidade ao ataque, poupando o argentino para o clássico de domingo.

Com a entrada de Vinícius, Bueno se deslocou para a esquerda

O time seguiu mantendo a posse na frente, com jogadas trabalhadas principalmente pela esquerda, com Carmona, Juninho e Bueno infernizando a defesa do time alagoano. Na insistência, aos 39', em bela jogada do trio, a bola sobrou com Juninho, livre. Seguindo as instruções de Felipão, que o orientou para chutar no gol caso chegasse à linha de fundo, arriscou e conseguiu com o desvio da defesa adversária marcar o dele. Verdão, 3x0!

A partir daí o time administrou a vitória, arriscando poucos lances de perigo na frente, a maior parte desperdiçada. Bueno, no finalzinho, livre, selou todas as chances do time ampliar o placar, chutando para fora cara a cara com goleiro. Fim de partida.

Considerações
O time jogou bem como um todo no primeiro tempo, exceto Patrik, muito apagado. Quando o meia apareceu, a jogada acabava nele. Isso forçou a mudança para o segundo tempo. Já a saída de Maikon preocupa, porque o jogador estava muito bem na partida e todas as jogadas de perigo do primeiro tempo saíram de seus pés. A entrada de Carmona e Bueno deu qualidade no passe na frente, mesmo com poucas finalizações. No entanto, foi talento decisivo de Marcos Assunção - que abriu o placar e ainda deu uma assistência - que forçou o Coruripe a sair para o ataque. Marcando no campo de defesa palmeirense, quando a bola passou do nosso trio de volantes, conseguiu segurar a posse na frente. Mas quando ela voltou para o campo de defesa deles, sofreram diversos ataques. E em um deles, Juninho selou o resultado.

Outro ponto a se destacar é, além da bela partida de João Vítor e Márcio Araújo, a volta de Marcos Assunção ao que sabe fazer de melhor. Com tranquilidade, coloca a bola onde quiser. Felipão parece ter dado a ele liberdade para armação pela direita quando a posse no ataque era recuperada. E vejam como são as coisas: em uma cobrança de falta, ele forçou o Coruripe a atacar, expondo a defesa adversária. Mesmo com nossos atacantes substitutos não rendendo o que deles se esperava, nossos laterais aprontaram com os alagoanos. Juninho, em uma de suas incansáveis subidas, marcou. Cicinho, quando tentou, quase entrou com bola e tudo.

Agora é esperar domingo, aproveitar essa boa vitória para motivar o time e trabalhar nas finalizações.

Ei, gambá... TUA HORA VAI CHEGAR!!!

terça-feira, 20 de março de 2012

10 ANOS DE UMA PINTURA

Torneio Rio-São Paulo, 20 de março de 2002
Palmeiras 4 x 2 SPFC


Há exatos 20 anos, Alex marcava um gol de placa em cima de Rogério Ceni em partida válida pelo Torneio Rio-São Paulo, para deleite de quase 50 mil torcedores presentes no estádio do Morumbi, fossem eles palmeirenses ou bamb... são paulinos.

Não vou ficar babando ovo em cima do gol. É uma obra de arte, permite inúmeras interpretações. E todas elas chegam à mesma conclusão: merece uma placa.

Apenas contemplem:

segunda-feira, 19 de março de 2012

Neymar e o futebol europeu


Recentemente, o presidente do Santos, LAOR, resolveu se posicionar diante da declaração do ex-jogador e agora empresário Ronaldo de que Neymar precisaria jogar no exterior caso quisesse disputar o título de melhor jogador do mundo. No caso, LAOR disse que Ronaldo só declara isso porque existe a possibilidade de receber comissão caso o jogador se transfira para fora.

Mesmo que Ronaldo leve alguma comissão na transação, LAOR é tão parcial quanto o ex-jogador. Defende a sua parte, e esse é seu papel como presidente do clube. Está corretíssimo em sua atitude.

Analisando a questão excluindo quem ganha e quem perde, olhando apenas o aspecto técnico do problema, fica claro que a declaração de Ronaldo é correta. Se nos perguntarmos onde estão os melhores defensores da atualidade, os melhores goleiros, zagueiros e volantes, certamente não os encontraremos aqui. Por quê?

É uma questão de mercado. Não estou dizendo que os campeonatos europeus são mais disputados que os daqui, mas que definitivamente possuem uma safra melhor de jogadores em suas ligas principais.

Se você quer comprar um carro e tem pouco dinheiro no bolso, não poderá comprar algo muito sofisticado. Se tiver muito dinheiro, poderá comprar algo melhor. Não é diferente no futebol. Para ilustrar a diferença entre os dois mercados, vou citar o caso conhecido de um jogador famoso que atua no Brasil e um não tão famoso que atua em um time da Europa.

O torcedor brasileiro já achava um absurdo o que o atacante Adriano ganhava por mês no SCCP, segundo especulações da mídia. O que intriga é que a maior parte deles jamais ouviu falar o nome de Luka Modric, meia do Tottenham. O salário oferecido ao jogador recentemente pela diretoria do clube londrino para segurá-lo, segundo jornais ingleses, foi de módicos R$ 277 mil... semanais. Dá mais que o dobro do que se especulava pelo ex-atacante de Roma e Inter de Milão mensalmente.

Se Adriano estivesse melhor que Modric (já foi muito melhor), receberia mais. Ou seja, muito provavelmente estaria atuando em alguma liga européia (ou árabe, para onde vão jogadores apagados nos grandes centros do futebol, mas com um passado de alto rendimento), já que seria improvável que algum time daqui pagasse algo a mais do que a soma astronômica pedida pelo jogador. Mas as leis de oferta e demanda ditam o preço justo do jogador. E hoje ele é menor que o do croata. Adriano, aliás, recebia o maior salário do time do SCCP, atual campeão nacional.

E quando ouvem dizer que o nível do futebol praticado lá é melhor, se revoltam, acham um absurdo.

De onde vem toda essa grana é tema para uma discussão muito mais profunda e abrangente à respeito da receita dos clubes e da forma como é feita a gestão do futebol no país. Se você assistir à um jogo qualquer de uma divisão qualquer do campeonato inglês, alemão, espanhol ou até mesmo português, verá que a casa está sempre cheia, os estádios são de primeira linha, todos sentam-se em cadeiras e há muitos seguranças. Tudo isso não sai de graça, os ingressos são mais caros que os daqui. Porém, se o espetáculo não for bom, a casa não enche e não adianta ter estádio bom. Basta olharmos para o Engenhão, certamente uma vitrine do que virarão os estádios que a Copa no Brasil deixará como legado.

Para finalizar, uma informação relevante: o campeonato alemão teve média de público de 42 mil pessoas na temporada 2010/2011. A última edição do Brasileirão teve média de 14.6 mil pessoas por partida, sendo que uma destas, a de Atlético Mineiro 1 x 3 Coritiba, foi vista por incríveis 732 pagantes.

Portanto, mesmo que Neymar resolva ficar, ficará por outro motivo que não o aspecto técnico da questão. Talvez a qualidade de vida melhor, claro, se a diretoria do Santos resolver - e com muito sacrifício - bancar. Se ele possui essa meta - na minha opinião, atingível - de ser eleito o melhor jogador do mundo, deverá passar por esse batismo de fogo europeu.

Manterá ele o mesmo desempenho que possui no Santos nos campeonatos da Europa? Com juízes que não apitam qualquer falta, com uma marcação mais forte e muito mais técnica que a praticada aqui? Contra jogadores taticamente mais disciplinados e mais experientes? Não posso dizer, ele não atua lá. Se lá estão os melhores defensores e ele não provar seus números diante deles, não posso afirmar que é o melhor do mundo. O melhor do Brasil, posso afirmar que sim.

Infelizmente, isso não depende da vontade que todos nós temos de ver o futebol nacional ser valorizado com a permanência dos craques, algo que LAOR está fazendo bravamente, assim como a diretoria de outros clubes. 

É conjuntural.

sábado, 17 de março de 2012

Pressão na Macaca!

Palmeiras 2 x 1 Ponte Preta
17/03/2012
Pacaembu

Felipão armou um time ofensivo diante da Ponte Preta, que não é um excelente time mas estava razoavelmente bem na tabela e vinha de 3 vitórias seguidas. Armado no 4-3-2-1, Felipão fez uma mescla do que vinha dando resultado do meio campo para trás no 4-3-1-2 e botou os dois meias para infernizar a defesa da Ponta e municiar Barcos. No começo do jogo, assim como em outras partidas, deu certo a estratégia de garantir o resultado no começo.

Time no 4-3-2-1

Logo aos 2' do primeiro tempo, Juninho abriu o placar após linda tabela de Daniel Carvalho e Valdívia, deixando o lateral livre para tocar com categoria por cima do goleiro Lauro. Era um sinal de que o jogo ia ser bom. Verdão, 1x0.

Aos 11', falta na intermediária, de muito longe. Assunção, que nas últimas rodadas apresentava uma queda do rendimento nesse tipo de jogada, nos presenteou com uma pintura, colocando a bola no ângulo do gol da Ponte. É aquele tipo de gol que não cabe discutir se foi cruzamento ou chute. Foi perfeito e fim de papo. Verdão, 2x0.

Depois do segundo gol, o time continuou a fornecer aos visitantes uma pressão infernal. Daniel e Valdívia, a subida dos laterais e, principalmente, Barcos, deram muito trabalho à defesa do time adversário, sem deixá-los sequer respirar. Todas as tentativas de ataque da Ponte esbarravam na marcação implacável do Palmeiras. Sobrou - e como sobrou - chuveirinho para dentro da grande área, além de alguns chutes perigosos à longa distância, como o de Renato Cajá aos 17'.

O time esfriou e começou a sentir dificuldade na criação de jogadas com a marcação mais forte da Ponte. Muitas tentativas de fora da área - como aquela em que João Vítor deu uma caneta e fuzilou pelo lado de fora - começaram a surgir do lado alviverde. A macaca sentiu que precisava tomar alguma atitude. Pressionando pelo lado esquerdo do nosso time , conseguiu um escanteio aos 37'. No lance, Leandro Amaro não conseguiu segurar Ferron, que se projetou à frente dele e macou. Verdão, 2x1.

Segundo tempo
Se Felipão tinha receio de colocar dois meias em campo e acabou nos surpreendendo, nos surpreendeu mais ainda deixando os dois jogadores no segundo tempo, sem substituição. O time que forneceu grande pressão ao time da Ponte no primeiro tempo voltou intacto para fechar a conta. Era preciso pressionar até que o cansaço abatesse um dos meias, forçando o técnico a substituí-lo e fazer alguma alteração tática. Foi o que fizemos.

Ao que tudo indica, a orientação de Felipão deve ter sido clara para que os dois meias servissem Barcos com assistências, incessantemente. O argentino, além de recuar diversas vezes para ajudar na defesa, foi bem servido no ataque, mas não conseguiu deixar o dele. Sem infiltrar na grande área, deu diversos chutes, sempre fintando um ou dois jogadores antes de finalizar. Se o argentino, que fez excelente partida mesmo sem o gol, estivesse melhor posicionado, ou seja, dentro da grande área, ou da pequena, com certeza teríamos marcado o terceiro. Basta comparar os chutes de longa distância com as duas chances contundentes de dentro da grande área. 

Nos primeiro lance, aos 18', depois de receber um belo lançamento de Daniel Carvalho na esquerda, limpou o único marcador e chutou com força. Lauro fez defesa dificílima, mérito dele. No segundo lance, já aos 34', Valdívia encontrou Márcio Araújo livre pela direita. O volante fez um cruzamento na medida para Barcos, que não aproveitou. O jogador já disse que cabeceio não é o forte, mas se ele conseguisse melhorar no fundamento com Felipão, seria um centroavante completo.

A Ponte reagiu e Gilson Kleina colocou o "ursinho" Pimpão (que meigo!) pra jogar, no lugar de Enrico. O atacante deu maior mobilidade ao ataque da macaca, aparecendo ora na direita, ora na esquerda. Apesar disso, a única (e perigosíssima) jogada de ataque surgiu em uma das poucas falhas de Adalberto Román, que tentou cortar sem sucesso um lançamento para o atacante. Na sequência, ele bateu em cima de Deola, a bola deu rebote e mesmo com o gol livre e a desorganização da defesa do Verdão, a Ponte não conseguiu empatar. Deola ficou com aquela cara de "me borrei todo" depois da jogada, foi engraçado.

Com a sorte do nosso lado e com Daniel Carvalho cansado, Felipão só administrou o resultado. Tirou Daniel para a entrada de Tinga, reforçando a esquerda onde Pimpão (que coisa mais meiga!) atuava, botando o time no 4-4-1-1. 



Cessaram os ataques, o time administrou o resultado e apesar de alguns sufocos, venceu e dormiu na liderança mais uma vez. Chupa, gambazada!

Considerações
Gostei da formação com dois meias. O único problema dela é que quando um deles é substituído, dá-lhe volante. E quando há volantes demais, o ataque cessa, mesmo com Barcos, Valdívia. Podia até ter um Messi lá na frente, se a bola não chegar, não vai sair gol. Por isso é preciso pelo menos um Xavi e um Iniesta por perto (como no golaço que ele marcou hoje contra o Sevilla).

O time nessa formação dá muita pressão no adversário. Primeiro, porque não são dois meias comunzinhos, é o Daniel Carvalho comendo a bola de um lado e o Valdívia do outro. O segundo é que a marcação no meio campo, com três volantes de qualidade, garante a posse do meio pra frente. Se os laterais estiverem inspirados (como Juninho normalmente está), o time vira uma máquina de atacar. O problema dela é esse prazo de validade curto. Faltam peças de reposição para jogar com essa formação e, por enquanto, Carmona não é essa peça, pelo que dá a entender as substituições feitas pelo Bigode.

Torço para que joguemos com dois meias mais vezes, mas quando Maikon voltar, é preciso pensar no momento certo de utilizá-la. O time conta, esse ano, com muitas variações táticas (4-2-3-1, 4-3-1-2, 4-3-2-1, 4-2-2-2, 4-4-1-1...) e usá-las com sabedoria será de excelente proveito. Até mesmo porque haverá momentos em que condições excepcionais como esta (os dois magos com preparo e inspiração) não ocorrerão novamente.

Quanto ao Barcos, partida excepcional, mesmo mal posicionado em alguns momentos. O jogador rende mais dentro da grande área, e não o contrário. Talvez seja o excesso de vontade na hora de marcar o dele. Disposto, deu motivos para os ponte-pretanos nao dormirem nessa noite.