quinta-feira, 15 de março de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Palmeiras 1 x 0 Coruripe

Palmeiras 1 x 0 Coruripe
14/03/2012
Copa do Brasil, 1ª fase

O Verdão veio no 4-2-3-1, já que não contaríamos com João Vítor e Valdívia. Daniel Carvalho começou na armação, com Patrik pela esquerda, Maikon pela direita e Barcos na referência.

Onze iniciais no 4-2-3-1


Primeiro tempo
O time começou pressionando, dominando a posse de bola logo nos primeiros minutos. Aos 2 minutos, uma pintura de jogada. Henrique subiu ao ataque, deixou a bola para Daniel Carvalho que deu uma belíssima assistência para Barcos, pelo meio, livre, que dominou e tocou por baixo do goleiro do Coruripe. Verdão, 1x0.

Após o gol, o time da casa pressionou a saída de bola. O time começou a ter dificuldades na criação de jogadas e só conseguíamos empurrar a posse de bola para o campo de defesa adversário. Com isso, sobraram as bolas paradas de Assunção para o Palmeiras levar perigo à meta do Coruripe. Escanteios no primeiro pau e cobranças de falta viraram rotina.

O time tirou o pé do acelerador deixando o Coruripe levar certa pressão à defesa, mas ainda assim dominava a posse. Sentindo o calor, os jogadores trabalharam excessivamente jogadas pelo meio, errando muitos passes. Sem explorar as laterais, iam em ritmo de treino. Com o meio campo inoperante, até Henrique tentava subidas ao ataque.

Fraco tecnicamente, o Coruripe partia para cima desordenadamente. Sem conseguir passar pelo meio, onde encontrava forte marcação, arriscava suas chances em chutes de fora da área, sem risco para Deola. Em banho-maria e precisando de apenas um gol para liquidar a partida de volta, o Verdão arrastou o jogo até final do primeiro tempo.

Segundo tempo
O time veio a campo sem alterações e seguiu sem velocidade. Já o Coruripe explorava os espaços da marcação deixados por Juninho, conseguindo um escanteio. Em seguida, aos 5', Artur conseguiu boa jogada na direita em um contra-ataque coordenado por Daniel Carvalho, passou pelo marcador devolveu a bola para o meia, que finalizou no meio do gol.

Aos 9', novamente em escanteio pela esquerda alviverde, o Coruripe quase chegou ao empate. O time acordou e, utilizando os laterais, pressionou o time adversário conseguindo boas jogadas. Ainda assim, os lances de perigo dependiam de Assunção. Daniel voltou a ser participativo quanto no começo do primeiro tempo, criando jogadas principalmente com Barcos. Maikon, porém, seguia apagado no início da etapa final. Jogando mais pelo meio que pelos lados, pouco rendia.

Aos 18', Felipão tirou Daniel para a entrada de Pedro Carmona, mantendo o time no 4-2-3-1. Talvez mais pelo cansaço do que pelo rendimento em campo, já que o jogador, quando tinha liberdade, distribuía bem o jogo na frente. O Palmeiras continuou sem conseguir infiltrar na grande área. Sem criar, perdia com frequência a posse no meio-campo.

Aos 26', Maikon saiu para a entrada de Ricardo Bueno, que faria dupla de ataque com Barcos pela esquerda. Com dois centroavantes, o time entrou no 4-2-2-2. A alteração melhorou o padrão de jogo do time, já que tentava mais jogadas pelo meio que pelos lados do campo. Aos 32', Chico entrou no lugar de Artur, com Márcio Araújo indo para a lateral direita. Com a alteração, Chico jogou como volante pela direita e Assunção pela esquerda.

Time no 4-2-2-2, forte pela esquerda

O jogo do time seguiu em uma crescente, pressionando principalmente pela ala esquerda, com Carmona e Ricardo Bueno tabelando perigosamente para o time da casa, aproveitando as subidas de Juninho. Aos 42', Bueno sobrou livre, rolou para Henrique que chutou cruzado na trave esquerda do gol do Coruripe. Mas foi só. À medida em que o tempo encurtava, o time atacava de forma cada vez mais desorganizada e cometendo erros bobos de passe. A percepção de uma inevitável segunda partida começou a afetar a concentração do time, que já não fazia questão de alcançar o objetivo traçado inicialmente.

Fim de jogo e vamos à Jundiaí.

Considerações
O time parecia ter sido bem armado inicialmente. Melhor começo, impossível. Marcamos o primeiro logo aos 2 minutos de jogo, em bela jogada pelo meio. Só não imaginávamos que seria o único tento da partida.

Infelizmente, Maikon não estava inspirado. Foi mal, em parte, pelo posicionamento, insistindo pelo centro, que não é o seu forte. Sua jogada boa é aquela nas costas do lateral esquerdo do time adversário. E foi mal também pela subida tardia dos laterais. O time não soube utilizar as alas, insistia em jogadas pelo meio que era onde se encontrava o miolo da retranca do Coruripe, sobrecarregando Daniel Carvalho, que depois do primeiro gol errou muitos passes e desapareceu em campo, pelo menos no primeiro tempo. Parecia consumido pelo calor. Patrik, que também insistia pelo centro, funcionou razoavelmente bem, porém sem ser decisivo. Sem a bola chegar, Barcos também ficou apagado. Quando recebia, porém, quase sempre levava perigo.

No segundo tempo, Felipão fez alterações que melhoraram a agressividade do time. Sacou Daniel, exausto, para a entrada de Carmona. Na sequência, tirou Maikon para a entrada de Ricardo Bueno. Por último, sacou Artur para a entrada de Chico. Com Patrik enfiado pela direita, o time passou a jogar mais afunilado, no 4-2-2-2, furando o ferrolho do time da casa nos minutos finais. Ricardo Bueno e Carmona criavam jogadas perigosas pela esquerda, mas era tarde para reagir.

A sequência de erros de posicionamento somados à atitude do "uma hora a gente marca" levaram a decisão do jogo para os últimos minutos. E perdemos a chance de matar a partida. Certamente, foi uma vitória com sabor de derrota para um time que vinha em uma crescente tão forte. O calor impacta o rendimento em campo, com certeza. Mas não é desculpa para não se empenhar ao máximo.

O empenho não foi bom, mas o rendimento em campo não deve ser impactado por essa vitória amarga. O time é composto por 11 jogadores, e se de um lado alguns vão bem na partida, outros vão mal. E no outro jogo, tudo muda. Paciência. Agora é esperar pra ver o Verdão em Jundiaí (e uma melhora de rendimento do time). Força, Verdão!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Saca só, Mano.

Muita gente no Brasil, por puro desconhecimento do que se passa no futebol europeu acaba subestimando seleções estrangeiras, em particular as que se encontram à frente da seleção brasileira no ranking da FIFA. Uma forma de criticar o ranking é dizer que o selecionado nacional é ruim. Tão ruim que alguns "pernas de pau" se encontram à frente do time de Mano Menezes.

A Espanha é a atual líder do ranking. Como é bem sabido, há uma comunidade autônoma dentro da Espanha chamada Catalunha, uma espécie de país dentro de outro país, que conta até com uma língua própria, o catalão. A capital é Barcelona, ou seja, é uma região apaixonada pelo futebol. De lá surgiram diversos jogadores que compõe o atual elenco da seleção.

Vez ou outra os caras inventam de fazer amistoso. Pra quem está se acostumando (mal) a ver Ronaldinho ser escalado, saca só a possível escalação de um imaginário confronto entre Espanha e Catalunha feito pelo diário Marca, da Espanha.

Reprodução: Marca.com (só perna de pau)
Segundo a enquete feita no site do diário, a Espanha ganharia da Catalunha. Não sei quanto a vocês, mas se fosse Brasil contra Catalunha, ficaria na dúvida.

domingo, 11 de março de 2012

A confirmação de um time forte

Palmeiras 6 x 2 São Caetano
11/03/2012
Santa Cruz, Ribeirão Preto

O Palmeiras iniciou o jogo no 4-3-1-2 habitual. Pegando um Botafogo na zona do rebaixamento, o time fez um primeiro tempo excepcional no dia em que Felipão se tornou o segundo técnico com mais partidas pelo Palmeiras, com 368 jogos disputados, um à frente do Luxa.

Onze iniciais no 4-3-1-2

Primeiro tempo
O time começou errando muitos passes e pressionado pelo Botafogo, mas em pouco tempo impôs seu jogo pela qualidade. O centro continua jogando bem e mostrando entrosamento. João Vítor e Márcio Araújo seguem em ascendente, driblando e chegando mais à frente, levando a posse ao campo adversário. No caso de Assunção, dois eventos ocorrem simultaneamente. O primeiro é a queda de rendimento nas bolas paradas, particularmente, nas cobranças de falta. As cobranças de escanteio continuam venenosas e bem calibradas, em especial as fechadas no primeiro pau. O segundo evento é a ascenção do elenco, que como um todo vem melhorando no entrosamento e em suas qualidades individuais. Ou seja, há uma transferência do protagonismo de Assunção em nome de um jogo coletivo forte.

O goleiro Juninho, do Bota, até tentou segurar o resultado. No primeiro lance de perigo do Verdão aos 7', Maikon ganhou a disputa com Leandro Carvalho pela esquerda e chutou em cima do goleiro, que espalmou para escanteio. Aos 11', a bola sobrou nos pés de Assunção perto da grande área, que fuzilou o goleiro. No rebote, Juninho ainda fez uma defesa espetacular em chute de Maikon Leite, milagrosamente. Aos 14', foi a vez de Barcos criar chances. O argentino recebeu bom passe de Márcio Araújo, passou por dois marcadores mas chutou em cima de Juninho. Aos 18', recebeu passe de Maikon e, livre de marcação, limpou o goleiro e tentou driblar ao invés de finalizar. Perdeu para a marcação.

Os "milagres" de Juninho uma hora acabariam. Aos 23', Marcos Assunção cruzou para a área. Marquinhos, e não Valdívia como queria a arbitragem, desviou para dentro do próprio gol. Verdão, 1x0. A arbitragem, diga-se de passagem, mal no jogo, ainda deixaria de creditar um pênalti para o Palmeiras em bom lance de João Vítor e expulsaria injustamente Marquinhos, do Botafogo, no segundo tempo.

O time de Ribeirão pouco criou, parou no forte meio-campo alviverde e só se arriscava no contra-ataque, esperando alguma bobeada da zaga. Nosso laterais subiam bem ao ataque, principalmente pela esquerda com Juninho. Artur teve papel mais defensivo, mais ainda assim levando perigo nas bolas paradas. Aos 36', no contra-ataque, Juninho fez lançamento longo para Maikon Leite, que na velocidade, dominou, driblou o marcador e bateu na saída de Juninho. Golaço, 2x0.

Após o gol de Maikon, o adversário cresceu na partida. Avançou a marcação e saiu mais para o jogo, encontrando mais espaços na nossa defesa, apesar de oferecer espaços também. Pressionado, a produção do time caiu. Barcos, sem receber a bola, sumiu em campo. O jogo se arrastou assim até o segundo tempo.

Segundo tempo
O Bota veio com alteração para o segundo tempo, mas foi o Palmeiras que apareceu melhor em campo, marcando logo aos 9' em ótima jogada do mago. Valdívia recebeu a bola na grande área, driblou o goleiro, passou pela marcação e entregou na boca do gol para Barcos concluir. Verdão, 3x0.

O time, com o placar favorável, tirou o pé do acelerador. Apenas 2 minutos depois, o Palmeiras ficou com um jogador a mais. Marquinhos cometeu falta boba em Barcos e, em uma decisão contestável, tomou o segundo amarelo e deixou o campo. Aos  21', veio a alteração que todos pediam, Daniel Carvalho entrou na vaga de Maikon, que saiu aplaudido. Eram dois meias criativos, Daniel e Valdívia, pela primeira vez jogando um do lado do outro.

O 4-3-2-1 durou pouco e não surpreendeu tanto. Pelo contrário. Se o time tinha pisado no freio, ainda deu mais espaços com dois jogadores que, a rigor, não são marcadores. Aos 28', Marcos Assunção daria lugar para Patrik, botando o time no 4-2-3-1. Aos 32', o Botafogo conseguiu jogada pela esquerda um cruzamento de Álvaro, que caiu certeiro na cabeça de Alessandro, ganhando fácil em cima de Juninho. Verdão, 3x1.

Na sequência, Felipão trocou Valdívia por Ricardo Bueno, aos 34'. Tivemos apenas 13' com dois meias criativos em campo. O que não foi de todo ruim. 15 segundos depois de ter entrado, Bueno faria o quarto gol do Verdão, em um cruzamento de Daniel Carvalho. Verdão, 4x1.

Verdão no 4-2-2-2, R. Bueno na frente e Patrik cobrindo Juninho

Com o resultado mais do que garantido, o time tinha apenas de administrar o placar, mas preferiu atacar até o último momento. O Botafogo conseguiu levar a posse até a linha de fundo, aos 42', conquistando lateral. O time todo recuou para marcar, mas não foi suficiente. Em uma jogada rápida na entrada da grande área, Talles era marcado por Henrique. O lateral tabelou com Clebinho, e Henrique não acompanhou. Ele entrou livre na área e cruzou rasteiro para a pequena área. Artur dividiu a bola com Marco Aurélio e fez contra. Verdão. 4x2.

A postura ofensiva continuou e Daniel Carvalho, em boa jogada individual aos 46', entrou livre na grande área e fuzilou o goleiro. No rebote, Juninho completou. Verdão, 5x2. O jogo seguiria até os 49' e o time aproveitou bem o pouco tempo que restava. Juninho rolou para Ricardo Bueno, que arriscou chutar e devolveu a bola para o lateral. Ele driblou o goleiro e depois de passar a bola, levou um chute fora de lance. O goleiro foi expulso e não haviam mais substituições a fazer. Alessandro entrou no gol e viu de camarote Barcos fechar a conta para o Verdão, 6x2.

Considerações
A vitória serve para confirmar um time que possui elenco forte, não mais dependente de Assunção. A postura ofensiva merece destaque, mas a mesma empolgação para o ataque deve ser a empolgação para a defesa. O primeiro gol foi fruto de uma exposição excessiva ao ataque e o segundo em uma desatenção de Henrique, que não acompanhou o lateral adversário.

A dupla de ataque foi muito bem. Maikon se movimentou excepcionalmente bem, deu bons passes e ainda fez um golaço. Quanto à partida de Barcos, os gols foram um prêmio pela insistência. O jogador, apesar de perigoso, não fez um excelente primeiro tempo, desperdiçando chances preciosas. Seu primeiro gol veio fácil e o segundo, de pênalti. Ainda assim, tem seu mérito pela frieza nas finalizações. O grande destaque da partida foi mesmo Juninho. Suas subidas pela esquerda levaram perigo sempre que ocorreram. O lateral deu assistência no gol de Maikon Leite, foi decisivo no lance do terceiro gol (após belíssimo passe de Márcio Araújo), marcou o quinto e sofreu o pênalti para o sexto. Ou seja, dos seis gols, quatro tiveram sua participação. Que partida!

Quanto aos dois meias...
Palmeirense, não se empolgue. Felipão certamente aproveitou o momento - a pressão da torcida para que Daniel e Valdívia jogassem juntos e o jogo praticamente decidido - para testar a entrada de Daniel enquanto o chileno estivesse em campo. A questão é que quando Felipão tirou Marcos Assunção para a entrada de Patrik, aos 28', a saída de Valdívia já estava selada.

Daniel é útil principalmente na criação e joga na entrada da área, não como atacante. Com dois meias que não marcam, era preciso que as próximas alterações, na cabeça de Felipão, ajudassem nesse papel. Patrik auxiliaria ainda na cobertura das subidas de Juninho. Com apenas um atacante (Barcos) e o jogo em 3 a 1 para o Palmeiras, era conveniente que a última alteração trouxesse um jogador de ataque para atuar ao lado de Hernán Barcos, neste caso, Ricardo Bueno. As mudanças surtiram efeito. Daniel Carvalho, além de dar assistência, foi quem fuzilou o goleiro no gol de Juninho. Ricardo Bueno deu ainda mais sorte, marcando apenas 15 segundos após entrar em jogo.

Mérito do treinador, que mexeu bem no time, mérito das contratações, que entraram e cumpriram seu papel. Reflexos de um começo de ano bem planejado. Aguardemos cenas dos próximos capítulos!

Até a próxima!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Novos padrões?

É, amigos. Estamos vendo a história sendo feita. 7 a 1 no Bayer Leverkusen pelas oitavas de final da Champions não é pra qualquer um. O mesmo Bayer que bateu o Bayern por 2 a 0 na última rodada do Campeonato Alemão.

O Barça atual não só tem o jogador que pode (e muito) ser o melhor da história, como deixará muitos legados para o futebol no futuro. Entre tantos legados, chamo a atenção para um em especial que pode (preste atenção à esta palavra) virar tendência - e talvez padrão - para os times do futuro: a média de altura dos jogadores de meio-campo e ataque.

Tabelinha que fala por si só

Altura e velocidade estão inversamente relacionadas. Jogadores mais baixos tem centro de gravidade mais baixo, possuindo assim condições de mudar a direção mais rapidamente e em menor tempo.

Tendemos a pensar que, por serem baixos, os jogadores do Barcelona passariam a conduzir mais a bola, como ocorre normalmente com esse tipo de jogador (baixo e consequentemente veloz). Pelo contrário, no jogo contra o Leverkusen, foram realizadas 988 tentativas de passe, com 88% (865) completados, segundo dados da UEFA. Quase mil. Ou seja, os jogadores correm, mas não com a bola. O jogador se desloca em dois momentos principais: para retornar ao posicionamento "correto" e para fazer a marcação por pressão. Qual o jogador ideal para fazer esse deslocamento todo em tempo e espaço tão reduzidos? Seria ele alto ou baixo? A questão não é tanto a velocidade final. Jogadores mais altos podem atingir a mesma velocidade de jogadores mais baixos. O problema todo reside na aceleração, e nesse aspecto é incontestável a vantagem que os menores exercem sobre os maiores.

Outra vantagem de se ter um jogador assim é a velocidade com que ele gira sobre a marcação. Isso é importante quando o jogador não encontra alternativas para o passe, tendo de recuar a bola ou passá-la de lado para algum companheiro de time melhor posicionado para realizar o passe que adiantará a posse para o campo de defesa adversário. Cito como exemplo de Xavi , que apesar de não possuir muita técnica no drible, faz o giro quase o jogo inteiro, eficientemente, claro que combinado à uma visão de jogo excepcional. No jogo de hoje, ele teve média de acerto de 92% dos passes. Pouco, não?

A influência da altura é tamanha sobre o "padrão Barça" que os jogadores simplesmente não cobram escanteios de tão baixo o elenco. Preferem manter a posse de bola. Desvantagem? De forma alguma. Isso mantém o padrão de jogo intacto, sem rifar a posse da bola, ou seja, zerando o risco de perdê-la. Não há prejuízo para o nível de pressão exercido pelo time.

Há quem diga que é besteira, respeito, até porque tudo depende do modelo de jogo de cada time. Quase todo time que se preza possui a "referência" no ataque, aquele jogador finalizador, "de área", fixo, geralmente grandalhão, muitas vezes trombador. Mas o padrão de jogo é muito influenciado pelos que estão no topo e, no momento, o Barça dita um padrão desafiador para que jogadores de meio campo e ataque sejam menores, mais rápidos, que acelerem para dentro da grande área para receber um passe em profundidade, uma enfiada entre zagueiro e lateral, ou entre os dois zagueiros. Isso acontece porque os jogadores de ataque do Barça atuam todos do lado de fora desse setor, a grande área.

O padrão de jogo do Barça é único também por causa desse fator - possuir um jogador atrás da última linha de ataque, obtendo vantagem numérica no meio campo. Em um esporte cada dia mais competitivo, é uma vantagem importante. Muitos times têm armado esquemas para "frear" o Barça, como colocando um jogador a mais à frente da linha dos zagueiros. Porém, isso tira um jogador do meio pra frente. Não seria mais fácil retornar um jogador do ataque, ou seja, jogar como o Barcelona joga? Teoricamente, sim. Mas seria suficiente? E a velocidade?

Existem muitas evidências sobre exigências físicas impostas por padrões de jogo específicos. Basta olhar para os alas e laterais de hoje. Difícil encontrar um com altura superior a 1,75m, 1,80m. O mesmo aconteceu com os jogadores de defesa e goleiros. Zagueiros normalmente possuem grande força física e têm altura acima de 1,80m, assim como goleiros. Não estou dizendo que os melhores são assim. O futebol é que faz uma "seleção natural" dos jogadores, posição por posição, de acordo com as exigências de seu tempo. Se o cara for bom, não importa se é alto, baixo, maneta ou perneta. Ele vai vingar na posição, vide Puyol (um zagueiro baixo para os padrões, com 1,78m de altura), Maicon (um lateral alto para os padrões, com 1,84m de altura) ou Falcão García (um centroavante matador baixo para os padrões, com 1,78m de altura. E como cabeceia bem esse jogador...). Quem não lembra do caso emblemático do goleiro Jorge Campos que defendeu o México na Copa de 94, do alto dos seus 1,75m?

Se o padrão imposto por esse time (que é o time a ser batido) influenciará os demais times, é complicado dizer. Guardiola pode sair a qualquer final de temporada, como tem ameaçado ano após ano. Difícil mudar treinador sem impacto para a filosofia de jogo. Entretanto, se influenciar, estaria decretado o fim do centroavante clássico, do camisa 9 matador? É algo a se pensar.

A Hungria de Puskás já tentou isso com Hidegkuti recuado. Não deu certo. Ou quase. Está aí o Barça para provar o contrário.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Felipão bate o martelo: só um meia.

"Provavelmente é o que vai acontecer mais seguidamente (um substituir o outro), mas não impossibilita que os dois joguem juntos. Se o adversário tiver laterais que não passem muito ao ataque, aí dá para jogar com os dois. Vocês sabem que nem o Daniel nem o Valdivia voltam para marcar o lateral. E aí vamos abrir todos os lados para os adversários. Se eu achar que isso vai causar prejuízo, não coloco os dois" - Felipão


No 4-2-3-1 habitual, quando o  lateral esquerdo do time adversário sobe ao ataque, além do lateral direito do Verdão (Cicinho ou Artur), poderam marcá-lo o volante pela direita (Kid) e também o meia-atacante pela direita (Maikon). Esse último, no caso da ala direita, raramente marca para dar bote, mas é comum vê-lo fechando espaços no campo de defesa. O mesmo ocorre pelo lado esquerdo, com Juninho, Márcio Araújo e Patrik dando cobertura.

Quando alternamos para o 4-3-1-2 com João Vítor (JV) pela direita, Kid centralizado e Márcio Araújo (MA) na esquerda, essa cobertura é feita no campo de defesa, apenas com o deslocamento de um jogador - no caso JV ou MA - e Kid na cobertura desse deslocamento, seja ele pela direta ou pela esquerda. Além do lateral, claro.

Atuando com dois meias, o time fica exposto contra laterais que sobem muito ao ataque. Com nosso dois volantes ocupados com os meias do time adversário, em um eventual contra-ataque do outro time com a subida de um lateral, o nosso lateral fica "vendido", sem cobertura, passando o time adversário a jogar nas costas desse jogador.

Concordo com a análise do Felipão. Se o risco de realizar uma jogada for menor que as chances que surgirão com tal atitude, não seria de todo mal ver dois caras extremamente habilidosos em campo. Pelo contrário, seria muito divertido. Outro ponto, este não observado por Felipão: com Daniel e Valdívia em campo, poderíamos reter a posse de bola não apenas no meio-campo, mas no ataque. Essa é uma maneira de não tomar contra-ataques com frequência, o que parece ser o fator decisivo para Felipão manter apenas um armador.

domingo, 4 de março de 2012

Jogo dos goleiros

Palmeiras 0 x 0 São Caetano
04/03/2012
Pacaembu, São Paulo

O Palmeiras veio a campo no esquema da partida passada, no 4-3-1-2, com Maikon inicialmente pela esquerda e depois voltando para a direita. O time dominou as ações no primeiro tempo, mostrando um entrosamento de dar gosto ao torcedor palmeirense, muitas chances foram criadas. O São Caetano seguiu um padrão de jogo, embora superior, muito semelhante ao time do Linense. Sem conseguir penetrar na grande área pelo meio, deu muitos chutes de longa distância. Cicinho fez boa partida, comparado ao últimos jogos, assim como João Vítor, que vem melhorando a cada jogo. Daniel Carvalho deu passes, diga-se de passagem, fenomenais enquanto esteve inspirado e ainda meteu uma bola na trave. O que não funcionou tão bem? Por incrível que pareça, nossa dupla de ataque: Barcos e Maikon Leite.
Onze iniciais no 4-3-1-2

Apesar de disputado, o time começou pressionando o São Caetano, chegando com perigo com Barcos logo aos 5', após lançamento de Assunção. O jogador dominou a bola na entrada da grande área, rolou para a perna esquerda e chutou, batendo para fora. A dificuldade na armação de jogadas do outro time era tanta que a primeira chance do São Caetano viria somente aos 12' de jogo. Dando uma prévia do que seria o jogo adversário, o ex-gambá Moradei recebeu passe pela esquerda e chutou de longe para Deola espalmar. O time visitante não conseguia jogar pelo meio, tentava explorar as linhas de fundo sem sucesso, restando chutes de longa distância.

Dois minutos depois, Juninho subiu ao ataque, rolou para Barcos na entrada da grande área, que girou sobre o marcador e chutou, em uma jogada semelhante àquela contra o Oeste em que o goleiro deu rebote para Maikon marcar. Só que desta vez Barcos chutou pra fora. E o argentino normalmente não falha duas vezes seguidas. Acostumado com tão boas atuações em tão pouco tempo, o torcedor terá que entender: o cara é humano. Algum dia ele vai jogar mal, como hoje.

Aos 24', Ailton deu bom passe para Misael, que passava nas costas de Henrique. Ele rolou para Moradei dar outro susto de fora da área para o gol de Deola. Aliás, a facilidade com que Moradei chegava para chutar era impressionante.

Apenas dois minutos se passaram quando a oportunidade de ouro surgiu para o Verdão: bola parada. Era o retorno de Marcos Assunção, o time não conseguia infiltrar na área do São Caetano, jogo empatado... um roteiro já conhecido para o torcedor do Palmeiras. Kid e Daniel Carvalho se posicionaram para o chute, mas quem foi para a bola foi o ex-barril. Naquele momento, a confirmação de que havia algo errado, muito errado com Barcos. O argentino não falha duas vezes seguidas. E falhou pela terceira vez. A bola carimbou o travessão e Barcos, no rebote, chutou. O goleiro Luiz, inspirado (leia-se "muito rabudo"), defendeu de pé esquerdo, já caindo. 

Com o time perdendo chances, o São Caetano cresceu na partida, mudando a estratégia de atuar no contra-ataque. Aos 45', pouco antes de irmos para o intervalo, Kid e Henrique bateram cabeça pela lateral esquerda, a bola sobrou para Marcelo Costa, que chutou cruzado. Maurício Ramos tentou cortar no carrinho, mas como ele é o zagueiro do Verdão mais cagado das últimas temporadas, a bola sobrou nos pés do próprio Marcelo Costa, que bateu livre e carimbou a trave. 

Tem dias que a bola não entra, é verdade. Melhor que seja para os dois lados.

Segundo tempo
O padrão de jogo do São Caetano voltou ao que era no primeiro tempo. As boas oportunidades continuaram em contra-ataques, geralmente terminando em chutes de fora da área, aproveitando bobeadas da zaga, alguns com muito perigo para a meta de Deola como o de Marcelo Costa perto dos 20'. Quanto ao Palmeiras, é inquestionável que o time pisou o pé no freio. Com muito mais dificuldades em encontrar espaços na defesa adversária, o time demorava muito na tomada de decisão e ainda errava passes no campo de defesa do adversário, gerando contra-ataques perigosos. 

A queda de rendimento de Barcos também veio acompanhada de uma queda de rendimento de Maikon, que sumiu até a primeira metade do segundo tempo. Apesar de Felipão ter retirado Daniel Carvalho para a entrada de Valdívia, dando "novo sangue" ao time, foi somente aos 12', com a saída de João Vítor para a entrada de Patrik, colocando o time no 4-2-3-1, que o time começou a levar perigo ao gol de Luiz. 

Time no 4-2-3-1: mais movimentação no ataque, porém sem efetividade

Ainda assim, mesmo com Patrik e Valdívia com fôlego novo para dar trabalho à defesa adversária e com uma melhor movimentação no ataque, sem Maikon e Barcos inspirados a mudança não foi completamente bem sucedida. Aos 22' veio a melhor chance. Juninho subiu ao ataque, rolou a bola para Barcos que fez um lindo corta-luz para Valdívia. O chileno tocou novamente para o argentino, enganando a zaga e deixando o matador livre. No quique da bola, infelizmente, chutou para a arquibancada. Isso é o que acontece quando se mistura a vontade de fazer gol do Barcos com a improvável chance da bola não chegar em condições para finalização: uma lambança inacreditável. O jogador não tinha mais a frieza de antes, se ajoelhou, deu tapa no chão, como quem não acreditava no que acontecia. Nada daria certo nesta tarde.

Poucos minutos depois, foi a vez de Maikon mostrar que nada dava certo do outro lado da fronteira também. Em uma cobrança venenosa de Marcos Assunção de quase do meio do campo, aos 24', Luiz deu rebote. A bola sobrou aos pés de Maikon, que chutou forte por cima do gol.

A partida seguiu sem muita criatividade dos dois lados, só que ainda corríamos riscos perdendo as bolas no ataque para tomar sufoco depois. Em um dos contra-ataques, aos 34', Deola fez dois milagres seguidos. Giovane cortou Maurício Ramos pela lateral direita e chutou forte. Deola espalmou para a lateral esquerda, nos pés do lateral direito deles, Marcone, que fuzilou novamente. Deola, milagrosamente, também defendeu. Chama a atenção a desorganização da defesa no momento desse ataque. No momento em que o chute de Marcone acontece, somente os dois zagueiros e Juninho estão presentes contra quatro jogadores do São Caetano. Cicinho e os volantes chegaram muito depois.

O jogo esfriou dos dois lados. Felipão trocou seis por meia-dúzia tirando um fraquíssimo Barcos por um Ricardo Bueno cheio de vontade. Convenhamos, é quase a mesma coisa. O time ainda tentou pressionar com uma bola parada de Assunção, que mandou para fora, e com finalizações de Patrik e Ricardo Bueno.

Já era tarde: estava selado o empate.

Considerações: além da sorte, faltou concentação
É fácil constatar a pouca inspiração do ataque do Palmeiras. Time que mais criou, não foi por falta de assistência que a bola não entrou. Elas chegaram sim. Quanto ao caso de Barcos, vejo que o argentino teve 4 chances de finalização. Tanto aos 5' quanto aos 14', chutou a bola para fora de fora da área. Não podem ser consideradas falta de qualidade pela chance de acerto ser consideravelmente menor nessas empreitadas. Talvez possam ser qualificadas como falta de concentração. Até passaram perto do gol. A chance aos 26', depois da cobrança de Daniel na trave, foi uma combinação de falta de sorte com mérito do goleiro. O chute foi certo, de cima para baixo, para evitar a possibilidade da bola sair por cima do gol. Além disso, quicando, a bola é mais difícil de defender. Mas o goleiro, rabudo que é, mesmo caído, conseguiu interromper a trajetória da bola com a perna esquerda. Se ele não tivesse uma, ela teria entrado. Mas ele tinha. 

Aos 22' do 2T, o lance derradeiro: se existe o "morrinho artilheiro", tinha um "morrinho zagueiro" antes da bola chegar aos pés do argentino finalizar. Chutou na lua, isolou. Mesmo assim, não acho justo crucificá-lo por esse ou aquele lance. A impressão que tenho é que a expectativa gerada em torno do jogador é tão grande que afetou-lhe a concentração. No lance da falta do Daniel que cobrou na trave, não foi por falta de concentração. Mas nos dois primeiros, sim. Sem contar que Barcos também errou muitos passes.

Se o argentino não teve sorte ou concentração, o mesmo não se pode dizer de Maikon. Esse sim fez uma partida ruim por mérito próprio. Pouco se movimentou e quando tentou cruzar, não achou seus companheiros. Quando teve condições de finalizar, desperdiçou. Futebol é feito de oportunidades, se você não as aproveita, outros irão. 

O resto do elenco em geral foi bem na partida. Os laterais subiram bem ao ataque, nossos volantes jogaram uma partida razoável, sem comprometer muito a zaga, que atuou com disposição. Felipão, na minha opinião,  foi ótimo. Percebendo o "esfriamento" do Verdão no segundo tempo, tratou de mudar a tática do time para continuar oferecendo ao adversário o mesmo nível de pressão do primeiro tempo. É isso o que deve fazer um treinador, manter o time estimulado para que exerça pressão constante sobre o oponente. As oportunidades de gol vão surgindo naturalmente. Buscar a vitória o tempo todo, mesmo se o placar for favorável.

Quanto aos goleiros, que destruíram na partida, mérito maior de Deola. Saiu bem do gol, fez defesas extremamente difíceis, tem qualidade pra isso. Quanto ao tal do Luiz, melhor continuar treinando forte. A sorte não costuma bater duas vezes à mesma porta.