quarta-feira, 7 de março de 2012

Novos padrões?

É, amigos. Estamos vendo a história sendo feita. 7 a 1 no Bayer Leverkusen pelas oitavas de final da Champions não é pra qualquer um. O mesmo Bayer que bateu o Bayern por 2 a 0 na última rodada do Campeonato Alemão.

O Barça atual não só tem o jogador que pode (e muito) ser o melhor da história, como deixará muitos legados para o futebol no futuro. Entre tantos legados, chamo a atenção para um em especial que pode (preste atenção à esta palavra) virar tendência - e talvez padrão - para os times do futuro: a média de altura dos jogadores de meio-campo e ataque.

Tabelinha que fala por si só

Altura e velocidade estão inversamente relacionadas. Jogadores mais baixos tem centro de gravidade mais baixo, possuindo assim condições de mudar a direção mais rapidamente e em menor tempo.

Tendemos a pensar que, por serem baixos, os jogadores do Barcelona passariam a conduzir mais a bola, como ocorre normalmente com esse tipo de jogador (baixo e consequentemente veloz). Pelo contrário, no jogo contra o Leverkusen, foram realizadas 988 tentativas de passe, com 88% (865) completados, segundo dados da UEFA. Quase mil. Ou seja, os jogadores correm, mas não com a bola. O jogador se desloca em dois momentos principais: para retornar ao posicionamento "correto" e para fazer a marcação por pressão. Qual o jogador ideal para fazer esse deslocamento todo em tempo e espaço tão reduzidos? Seria ele alto ou baixo? A questão não é tanto a velocidade final. Jogadores mais altos podem atingir a mesma velocidade de jogadores mais baixos. O problema todo reside na aceleração, e nesse aspecto é incontestável a vantagem que os menores exercem sobre os maiores.

Outra vantagem de se ter um jogador assim é a velocidade com que ele gira sobre a marcação. Isso é importante quando o jogador não encontra alternativas para o passe, tendo de recuar a bola ou passá-la de lado para algum companheiro de time melhor posicionado para realizar o passe que adiantará a posse para o campo de defesa adversário. Cito como exemplo de Xavi , que apesar de não possuir muita técnica no drible, faz o giro quase o jogo inteiro, eficientemente, claro que combinado à uma visão de jogo excepcional. No jogo de hoje, ele teve média de acerto de 92% dos passes. Pouco, não?

A influência da altura é tamanha sobre o "padrão Barça" que os jogadores simplesmente não cobram escanteios de tão baixo o elenco. Preferem manter a posse de bola. Desvantagem? De forma alguma. Isso mantém o padrão de jogo intacto, sem rifar a posse da bola, ou seja, zerando o risco de perdê-la. Não há prejuízo para o nível de pressão exercido pelo time.

Há quem diga que é besteira, respeito, até porque tudo depende do modelo de jogo de cada time. Quase todo time que se preza possui a "referência" no ataque, aquele jogador finalizador, "de área", fixo, geralmente grandalhão, muitas vezes trombador. Mas o padrão de jogo é muito influenciado pelos que estão no topo e, no momento, o Barça dita um padrão desafiador para que jogadores de meio campo e ataque sejam menores, mais rápidos, que acelerem para dentro da grande área para receber um passe em profundidade, uma enfiada entre zagueiro e lateral, ou entre os dois zagueiros. Isso acontece porque os jogadores de ataque do Barça atuam todos do lado de fora desse setor, a grande área.

O padrão de jogo do Barça é único também por causa desse fator - possuir um jogador atrás da última linha de ataque, obtendo vantagem numérica no meio campo. Em um esporte cada dia mais competitivo, é uma vantagem importante. Muitos times têm armado esquemas para "frear" o Barça, como colocando um jogador a mais à frente da linha dos zagueiros. Porém, isso tira um jogador do meio pra frente. Não seria mais fácil retornar um jogador do ataque, ou seja, jogar como o Barcelona joga? Teoricamente, sim. Mas seria suficiente? E a velocidade?

Existem muitas evidências sobre exigências físicas impostas por padrões de jogo específicos. Basta olhar para os alas e laterais de hoje. Difícil encontrar um com altura superior a 1,75m, 1,80m. O mesmo aconteceu com os jogadores de defesa e goleiros. Zagueiros normalmente possuem grande força física e têm altura acima de 1,80m, assim como goleiros. Não estou dizendo que os melhores são assim. O futebol é que faz uma "seleção natural" dos jogadores, posição por posição, de acordo com as exigências de seu tempo. Se o cara for bom, não importa se é alto, baixo, maneta ou perneta. Ele vai vingar na posição, vide Puyol (um zagueiro baixo para os padrões, com 1,78m de altura), Maicon (um lateral alto para os padrões, com 1,84m de altura) ou Falcão García (um centroavante matador baixo para os padrões, com 1,78m de altura. E como cabeceia bem esse jogador...). Quem não lembra do caso emblemático do goleiro Jorge Campos que defendeu o México na Copa de 94, do alto dos seus 1,75m?

Se o padrão imposto por esse time (que é o time a ser batido) influenciará os demais times, é complicado dizer. Guardiola pode sair a qualquer final de temporada, como tem ameaçado ano após ano. Difícil mudar treinador sem impacto para a filosofia de jogo. Entretanto, se influenciar, estaria decretado o fim do centroavante clássico, do camisa 9 matador? É algo a se pensar.

A Hungria de Puskás já tentou isso com Hidegkuti recuado. Não deu certo. Ou quase. Está aí o Barça para provar o contrário.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Felipão bate o martelo: só um meia.

"Provavelmente é o que vai acontecer mais seguidamente (um substituir o outro), mas não impossibilita que os dois joguem juntos. Se o adversário tiver laterais que não passem muito ao ataque, aí dá para jogar com os dois. Vocês sabem que nem o Daniel nem o Valdivia voltam para marcar o lateral. E aí vamos abrir todos os lados para os adversários. Se eu achar que isso vai causar prejuízo, não coloco os dois" - Felipão


No 4-2-3-1 habitual, quando o  lateral esquerdo do time adversário sobe ao ataque, além do lateral direito do Verdão (Cicinho ou Artur), poderam marcá-lo o volante pela direita (Kid) e também o meia-atacante pela direita (Maikon). Esse último, no caso da ala direita, raramente marca para dar bote, mas é comum vê-lo fechando espaços no campo de defesa. O mesmo ocorre pelo lado esquerdo, com Juninho, Márcio Araújo e Patrik dando cobertura.

Quando alternamos para o 4-3-1-2 com João Vítor (JV) pela direita, Kid centralizado e Márcio Araújo (MA) na esquerda, essa cobertura é feita no campo de defesa, apenas com o deslocamento de um jogador - no caso JV ou MA - e Kid na cobertura desse deslocamento, seja ele pela direta ou pela esquerda. Além do lateral, claro.

Atuando com dois meias, o time fica exposto contra laterais que sobem muito ao ataque. Com nosso dois volantes ocupados com os meias do time adversário, em um eventual contra-ataque do outro time com a subida de um lateral, o nosso lateral fica "vendido", sem cobertura, passando o time adversário a jogar nas costas desse jogador.

Concordo com a análise do Felipão. Se o risco de realizar uma jogada for menor que as chances que surgirão com tal atitude, não seria de todo mal ver dois caras extremamente habilidosos em campo. Pelo contrário, seria muito divertido. Outro ponto, este não observado por Felipão: com Daniel e Valdívia em campo, poderíamos reter a posse de bola não apenas no meio-campo, mas no ataque. Essa é uma maneira de não tomar contra-ataques com frequência, o que parece ser o fator decisivo para Felipão manter apenas um armador.

domingo, 4 de março de 2012

Jogo dos goleiros

Palmeiras 0 x 0 São Caetano
04/03/2012
Pacaembu, São Paulo

O Palmeiras veio a campo no esquema da partida passada, no 4-3-1-2, com Maikon inicialmente pela esquerda e depois voltando para a direita. O time dominou as ações no primeiro tempo, mostrando um entrosamento de dar gosto ao torcedor palmeirense, muitas chances foram criadas. O São Caetano seguiu um padrão de jogo, embora superior, muito semelhante ao time do Linense. Sem conseguir penetrar na grande área pelo meio, deu muitos chutes de longa distância. Cicinho fez boa partida, comparado ao últimos jogos, assim como João Vítor, que vem melhorando a cada jogo. Daniel Carvalho deu passes, diga-se de passagem, fenomenais enquanto esteve inspirado e ainda meteu uma bola na trave. O que não funcionou tão bem? Por incrível que pareça, nossa dupla de ataque: Barcos e Maikon Leite.
Onze iniciais no 4-3-1-2

Apesar de disputado, o time começou pressionando o São Caetano, chegando com perigo com Barcos logo aos 5', após lançamento de Assunção. O jogador dominou a bola na entrada da grande área, rolou para a perna esquerda e chutou, batendo para fora. A dificuldade na armação de jogadas do outro time era tanta que a primeira chance do São Caetano viria somente aos 12' de jogo. Dando uma prévia do que seria o jogo adversário, o ex-gambá Moradei recebeu passe pela esquerda e chutou de longe para Deola espalmar. O time visitante não conseguia jogar pelo meio, tentava explorar as linhas de fundo sem sucesso, restando chutes de longa distância.

Dois minutos depois, Juninho subiu ao ataque, rolou para Barcos na entrada da grande área, que girou sobre o marcador e chutou, em uma jogada semelhante àquela contra o Oeste em que o goleiro deu rebote para Maikon marcar. Só que desta vez Barcos chutou pra fora. E o argentino normalmente não falha duas vezes seguidas. Acostumado com tão boas atuações em tão pouco tempo, o torcedor terá que entender: o cara é humano. Algum dia ele vai jogar mal, como hoje.

Aos 24', Ailton deu bom passe para Misael, que passava nas costas de Henrique. Ele rolou para Moradei dar outro susto de fora da área para o gol de Deola. Aliás, a facilidade com que Moradei chegava para chutar era impressionante.

Apenas dois minutos se passaram quando a oportunidade de ouro surgiu para o Verdão: bola parada. Era o retorno de Marcos Assunção, o time não conseguia infiltrar na área do São Caetano, jogo empatado... um roteiro já conhecido para o torcedor do Palmeiras. Kid e Daniel Carvalho se posicionaram para o chute, mas quem foi para a bola foi o ex-barril. Naquele momento, a confirmação de que havia algo errado, muito errado com Barcos. O argentino não falha duas vezes seguidas. E falhou pela terceira vez. A bola carimbou o travessão e Barcos, no rebote, chutou. O goleiro Luiz, inspirado (leia-se "muito rabudo"), defendeu de pé esquerdo, já caindo. 

Com o time perdendo chances, o São Caetano cresceu na partida, mudando a estratégia de atuar no contra-ataque. Aos 45', pouco antes de irmos para o intervalo, Kid e Henrique bateram cabeça pela lateral esquerda, a bola sobrou para Marcelo Costa, que chutou cruzado. Maurício Ramos tentou cortar no carrinho, mas como ele é o zagueiro do Verdão mais cagado das últimas temporadas, a bola sobrou nos pés do próprio Marcelo Costa, que bateu livre e carimbou a trave. 

Tem dias que a bola não entra, é verdade. Melhor que seja para os dois lados.

Segundo tempo
O padrão de jogo do São Caetano voltou ao que era no primeiro tempo. As boas oportunidades continuaram em contra-ataques, geralmente terminando em chutes de fora da área, aproveitando bobeadas da zaga, alguns com muito perigo para a meta de Deola como o de Marcelo Costa perto dos 20'. Quanto ao Palmeiras, é inquestionável que o time pisou o pé no freio. Com muito mais dificuldades em encontrar espaços na defesa adversária, o time demorava muito na tomada de decisão e ainda errava passes no campo de defesa do adversário, gerando contra-ataques perigosos. 

A queda de rendimento de Barcos também veio acompanhada de uma queda de rendimento de Maikon, que sumiu até a primeira metade do segundo tempo. Apesar de Felipão ter retirado Daniel Carvalho para a entrada de Valdívia, dando "novo sangue" ao time, foi somente aos 12', com a saída de João Vítor para a entrada de Patrik, colocando o time no 4-2-3-1, que o time começou a levar perigo ao gol de Luiz. 

Time no 4-2-3-1: mais movimentação no ataque, porém sem efetividade

Ainda assim, mesmo com Patrik e Valdívia com fôlego novo para dar trabalho à defesa adversária e com uma melhor movimentação no ataque, sem Maikon e Barcos inspirados a mudança não foi completamente bem sucedida. Aos 22' veio a melhor chance. Juninho subiu ao ataque, rolou a bola para Barcos que fez um lindo corta-luz para Valdívia. O chileno tocou novamente para o argentino, enganando a zaga e deixando o matador livre. No quique da bola, infelizmente, chutou para a arquibancada. Isso é o que acontece quando se mistura a vontade de fazer gol do Barcos com a improvável chance da bola não chegar em condições para finalização: uma lambança inacreditável. O jogador não tinha mais a frieza de antes, se ajoelhou, deu tapa no chão, como quem não acreditava no que acontecia. Nada daria certo nesta tarde.

Poucos minutos depois, foi a vez de Maikon mostrar que nada dava certo do outro lado da fronteira também. Em uma cobrança venenosa de Marcos Assunção de quase do meio do campo, aos 24', Luiz deu rebote. A bola sobrou aos pés de Maikon, que chutou forte por cima do gol.

A partida seguiu sem muita criatividade dos dois lados, só que ainda corríamos riscos perdendo as bolas no ataque para tomar sufoco depois. Em um dos contra-ataques, aos 34', Deola fez dois milagres seguidos. Giovane cortou Maurício Ramos pela lateral direita e chutou forte. Deola espalmou para a lateral esquerda, nos pés do lateral direito deles, Marcone, que fuzilou novamente. Deola, milagrosamente, também defendeu. Chama a atenção a desorganização da defesa no momento desse ataque. No momento em que o chute de Marcone acontece, somente os dois zagueiros e Juninho estão presentes contra quatro jogadores do São Caetano. Cicinho e os volantes chegaram muito depois.

O jogo esfriou dos dois lados. Felipão trocou seis por meia-dúzia tirando um fraquíssimo Barcos por um Ricardo Bueno cheio de vontade. Convenhamos, é quase a mesma coisa. O time ainda tentou pressionar com uma bola parada de Assunção, que mandou para fora, e com finalizações de Patrik e Ricardo Bueno.

Já era tarde: estava selado o empate.

Considerações: além da sorte, faltou concentação
É fácil constatar a pouca inspiração do ataque do Palmeiras. Time que mais criou, não foi por falta de assistência que a bola não entrou. Elas chegaram sim. Quanto ao caso de Barcos, vejo que o argentino teve 4 chances de finalização. Tanto aos 5' quanto aos 14', chutou a bola para fora de fora da área. Não podem ser consideradas falta de qualidade pela chance de acerto ser consideravelmente menor nessas empreitadas. Talvez possam ser qualificadas como falta de concentração. Até passaram perto do gol. A chance aos 26', depois da cobrança de Daniel na trave, foi uma combinação de falta de sorte com mérito do goleiro. O chute foi certo, de cima para baixo, para evitar a possibilidade da bola sair por cima do gol. Além disso, quicando, a bola é mais difícil de defender. Mas o goleiro, rabudo que é, mesmo caído, conseguiu interromper a trajetória da bola com a perna esquerda. Se ele não tivesse uma, ela teria entrado. Mas ele tinha. 

Aos 22' do 2T, o lance derradeiro: se existe o "morrinho artilheiro", tinha um "morrinho zagueiro" antes da bola chegar aos pés do argentino finalizar. Chutou na lua, isolou. Mesmo assim, não acho justo crucificá-lo por esse ou aquele lance. A impressão que tenho é que a expectativa gerada em torno do jogador é tão grande que afetou-lhe a concentração. No lance da falta do Daniel que cobrou na trave, não foi por falta de concentração. Mas nos dois primeiros, sim. Sem contar que Barcos também errou muitos passes.

Se o argentino não teve sorte ou concentração, o mesmo não se pode dizer de Maikon. Esse sim fez uma partida ruim por mérito próprio. Pouco se movimentou e quando tentou cruzar, não achou seus companheiros. Quando teve condições de finalizar, desperdiçou. Futebol é feito de oportunidades, se você não as aproveita, outros irão. 

O resto do elenco em geral foi bem na partida. Os laterais subiram bem ao ataque, nossos volantes jogaram uma partida razoável, sem comprometer muito a zaga, que atuou com disposição. Felipão, na minha opinião,  foi ótimo. Percebendo o "esfriamento" do Verdão no segundo tempo, tratou de mudar a tática do time para continuar oferecendo ao adversário o mesmo nível de pressão do primeiro tempo. É isso o que deve fazer um treinador, manter o time estimulado para que exerça pressão constante sobre o oponente. As oportunidades de gol vão surgindo naturalmente. Buscar a vitória o tempo todo, mesmo se o placar for favorável.

Quanto aos goleiros, que destruíram na partida, mérito maior de Deola. Saiu bem do gol, fez defesas extremamente difíceis, tem qualidade pra isso. Quanto ao tal do Luiz, melhor continuar treinando forte. A sorte não costuma bater duas vezes à mesma porta.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Jogando com inteligência

Palmeiras 3 x 1 Linense
29/02/2012
Lins


Onze iniciais
O time veio a campo no 4-3-1-2, com a linha de volantes composta por Chico na esquerda, Márcio Araújo centralizado (cumprindo o papel exercido por Marcos Assunção quando jogamos desta forma) e João Vítor pela direita. A surpresa da não escalação de Patrik não para por aí. Felipão colocou Artur na vaga de Cicinho, que não vinha de bom momento, e Maikon começou invertido pela esquerda. Na verdade, o jogador "flutuava" ao lado de Barcos, alternando jogadas pela direita e pela esquerda.



Estratégia arriscada
Exceto pelo gol logo aos 2 minutos de jogo - em uma felicidade absurda de Maikon Leite, que na cobrança de bola parada de muito longe pela esquerda fez a bola entrar quase sem desviar-  o time não adotou uma postura claramente ofensiva. A estratégia consistia em deixar o Linense jogar, retomar a posse no campo de defesa, sair no contra-ataque. O time sequer pressionava a saída de bola do Linense.

Com três volantes no centro, o time do Linense, porém, encontrava muita dificuldade em criar jogadas e se via obrigado a atuar pelas laterais, sem sucesso. Restava então chutes de longa distância, já que o time não conseguiu penetrar na área do Verdão. Deola fez várias defesas, mas nenhuma com um grau elevado de dificuldade. Analogamente, o Verdão armado no 4-3-1-2 também dependia da subida dos laterais por conta do centro muito estreito do time. Tanto Artur quanto Juninho apresentaram segurança e apoiaram bem no contra-ataque.

O truque, mérito de Felipão
Apesar de arriscada, a estratégia dava certo por dois fatores. O Linense, quando saía para o ataque, avançava como um todo. Aí ficava o "truque" da estratégia. Com apenas três homens à frente da linha de volantes e com o time do Linense todo no ataque, a defesa deles ficava vendida no contra-ataque. Só que a estratégia só daria certo por um segundo fator: qualidade. Não adianta sair no contra-ataque se o time não tem um jogador veloz como Maikon, um outro que dribla bem, tem visão de jogo e excelente posicionamento como Daniel e um artilheiro veloz e matador como Barcos. Ou vocês imaginam Fernandão fazendo aquela pintura de gol? O drible da vaca até vai, sofrido ainda, mas o toque de categoria por cima... vamos mudar de assunto?

Verdão 3 x 0 ainda no primeiro tempo.

Segundo tempo
O time voltou sem mudanças para o segundo tempo, enquanto o Linense já tinha feito duas alterações. Ademir Sopa saiu para a entrada de Éder e Rhayner deu lugar para Shimba. O padrão de jogo não mudou muito, o time continuou com a estratégia, em menor intensidade. O Linense continuou chutando de fora da área,  porém perdeu muita ofensividade. O Verdão começou a valorizar mais a posse de bola quando a possuía, mas sem perder o foco na estratégia que deu certo no primeiro tempo. O time, muito mais lúcido que o Linense, chegou a manter a posse no ataque tabelando e tentando arriscar alguma jogada. Entregue em campo, o time adversário queimou a última alteração logo aos 14'.

Daniel Carvalho cansou e Patrik entrou em seu lugar aos 25'. O time continuava com o domínio de jogo, mesmo com o Linense levando sufoco à defesa. Aos 28', em uma bola parada do Linense, Deola fez linda defesa na cobrança de falta. O esforço, entretanto, não vingou.. Juninho, em jogada individual pelo lado esquerdo do Verdão, limpou João Vitor e bateu no canto esquerdo de Deola. A bola quicou e levamos a pior. Verdão 3 x 1 Linense.

O time começou a perder o controle da partida abandonando a estratégia de recuperar a posse no campo de defesa, se projetando muito para a frente. O Linense começou a criar chances baseado nos espaços que a defesa abriu com esse movimento, mas sem muito perigo. Artur caiu muito de produção, dando espaços para o time adversário, que criou diversas chances pelo lado do jogador.

Aos 40', Artur foi substituido por Cicinho, corretamente. O jogador entrou com sede de jogo, e criou jogadas pela direita, além de dar mais segurança na cobertura. O time cozinhou o Linense, botou os adversários na roda e a torcida gritou "Olé". Aos 45', Román entrou na vaga de Leandro Amaro. Substituição para dar ritmo de jogo ao argentino. Sem novidades, o jogo prosseguiu até os 48'.

Fim de jogo! Jogaço do Verdão!

Considerações
Jogamos de maneira inteligente. Olhando o time a partir do esquema montado por Felipão, parecia que o time iria jogar na retranca diante de um time fraco como o Linense. Pois a estratégia deu certo, e era arriscada: consistia em deixar o inimigo com a posse, esperar ele atacar para depois retomar a posse. Com três volantes no meio campo e sem que o Verdão pressionasse a saída de bola adversária, o Linense avançava lentamente pelas linhas de defesa do Palmeiras. E era aí que ficava o truque. Com apenas três jogadores à frente da linha de volantes, Daniel Carvalho, Maikon Leite e Barcos, a defesa do Linense só ficava vendida no contra-ataque. É claro que sem qualidade, coisa que o trio de ataque possui e muito, isso não iria vingar.

Outros pontos positivos da partida foram a excelente partida de João Vitor, que repito, tem se encontrado nessa posição de volante pela direita, a segurança de Márcio Araújo na posição em que o Kid joga e a ótima partida dos laterais. O 4-3-1-2 exige que os laterais sejam participativos. Sem isso, o esquema não funciona porque o centro do time (no caso de hoje, João Vítor - Márcio Araújo - Chico) é muito estreito e o espaço pelas laterais sobra. Juninho foi excelente defensivamente e no apoio pela esquerda deu uma assistência. Artur também foi bem até o segundo tempo, quando caiu drasticamente de produção, sendo substituído por Cicinho. O trio de ataque funcionou maravilhosamente bem, cada um fez seu gol (o de Barcos foi, verdade seja dita, de placa), Maikon flutuando cada vez melhor ao redor de Barcos, enfim, noite sensacional.

Se existem partidas para esquecer, essa é uma partida para relembrar.

11ª rodada: Palmeiras x Linense (PRÉVIA)

11ª Rodada, Palmeiras x Linense, 29 de fevereiro de 2012
Lins


Contra times menores, o time tem atuado no 4-2-3-1 (4-2-2-2 com a bola, com o avanço de Maikon). Só alternamos para o 4-3-1-2 contra times que possuem um meio campo, digamos, privilegiado, como foi contra o Santos de Ganso e Elano e o São Paulo de Jadson e Lucas.


Expectativas
João Vitor deve confirmar a boa fase entrando no lugar de Marcos Assunção. Acredito que Márcio Araújo não deverá voltar para a direita, uma vez que tem rendimento parecido pela esquerda. O risco de botar João Vitor pela esquerda é bem maior que o ganho de deslocar Gente Boa para sua posição original.

Um ponto positivo (além da expectativa de vitória) é pela evolução física de Daniel Carvalho. Espero que o meia jogue até o final do segundo tempo. De Patrik, o retorno ao rendimento que teve contra times como o Ituano, por exemplo, revertendo a atuação péssima contra o Oeste. Contra o SPFW, ele já deu sinais de melhora.

Também é esperada uma evolução de Cicinho, que tem sentido o peso da titularidade com um reserva de qualidade como Artur. As jogadas do lateral direito com Maikon são fundamentais para o desenvolvimento do ataque do Verdão. Caso não funcione, talvez Felipão tenha de pedir novamente inversões de Maikon Leite com Patrik. Para completar, aguardo também uma evolução de Juninho, sendo mais firme no aspecto defensivo e mais atuante no ataque.

Palpite
2 a 0, Barcos e Milk.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Uma Seleção de Bósnia

Brasil 2 x 1 Bósnia (ou 1 x 2?)
St. Gallen, 28 de fevereiro de 2012.

Patético, não tem definição melhor.



Sinceramente, levar Ronaldinho até a longínqua Suíça para mostrar ao mundo o que o Brasil todo já sabe é deprimente. Somente um modus operandi arcaico seria capaz de levar tal mentira às últimas consequências. O jogador já não tem nível de seleção. A culpa é do "gaúcho"? Sim. Dos gaúchos. O autêntico - atual técnico - e a versão carioca.

Não cabe aqui destacar o aspecto político da questão (que é público e até os bêbados que habitam o buteco mais sem vergonha sabem), mas retratar o quadro atual do ponto de vista técnico e tático. Se o primeiro erro de Mano Menezes (o outro gaúcho da história) foi escalar novamente o jogador, o segundo - e mais grave, na minha opinião - foi colocá-lo fora de posição. Ronaldinho sempre atuou melhor, isso é conhecido no mundo inteiro, mais avançado, pela esquerda. Apático, facilmente marcado, errou N passes no primeiro tempo, totalmente sem inspiração. Fosse apenas um teste, ficaria tranquilo. Mas Mano conseguiu fazer outra cagada (me desculpem o termo) e botou Hernanes aberto pela direita. What the fuck! Você se irrita, coça a cabeça, não consegue acreditar no que está acontecendo. Foi até a Suíça pra fazer isso? O tempo passa devagar, nada acontece, você espera até os 20' do segundo tempo pra enfim vê-lo colocar Paulo Henrique Ganso no lugar de Ronaldinho e em seguida o Hulk no lugar do Hernanes. What the fuck 2!

O resultado foi um time que já temos visto há algum tempo com Mano Menezes. Sem agressividade. Sem chutes a gol. Sem objetividade. Hernanes pouco criou fora de posição, Ronaldinho nem entrou em campo. Neymar deu trabalho, mas sem a presença de ataque dos companheiros que atuam na mesma linha e com Damião plantado na grande área, pouco fez. Restou aos laterais decidirem a partida. Mano está insatisfeito? Pois foi ele que montou o time dessa maneira.

A saída de Ronaldinho da seleção, após essa partida, é uma tendência cada vez mais forte. Posso estar errado. Depois de vê-lo ser escalado pra seleção mesmo apresentando um futebol medíocre no Flamengo, não duvido de nada.

O problema para o qual chamo atenção, entretanto, é muito mais grave. Jogadores chegam à seleção consagrados pelo futebol que apresentam em seus clubes, dentro da posição que costumam jogar. O futebol hoje é tão especializado como o trabalho na fábrica de alfinetes que Adam Smith, o "pai" das Ciências Econômicas, sonhava funcionar. Se você mudá-los de posição, não vão render o esperado, leia-se "o que apresentam em seus clubes".

Chamo a atenção porque vi uma Argentina com Higuaín, Messi, Tévez e Agüero cair diante de um ótimo time como a Alemanha, na Copa do Mundo da África, em 2010 por um humilhante placar de 4 a 0. Problemas com o ataque? Não. O time sucumbiu diante do "suicídio tático" realizado por Maradona, colocando diversos jogadores fora de posição e realizando improvisos escabrosos. Deixou Messi exclusivamente na criação de jogadas, coisa que não fazia (e ainda não faz) no Barça. Mascherano sozinho na linha de volantes, diante de um meio campo privilegiado com Khedira e Özil (ambos no Real Madrid atualmente) e Schweinsteiger (Bayern), outro erro. Otamendi, pela lateral direita, sem a cobertura do volante (que era um só, ou seja, isto seria praticamente impossível) viu Podolski surfar no ataque. Di María foi erroneamente escalado avançado pela direita (jogou toda a temporada de 2009/2010 pela esquerda, ainda no Benfica) e sem a obrigação de marcar Boateng. Esse último, notável lateral no aspecto defensivo, encontrou tamanha mamata que até arriscou jogadas avançando no ataque. Sim, se mesmo Máxi Rodriguez não conseguiu marcar Lahm pela esquerda, certamente Di María tomaria um baile maior ainda. Mas escalá-lo na direita, seria uma boa? Existiria algum jogador forte no apoio por aquele lado do campo no banco da Argentina? São coisas que um técnico deveria pensar. Hernanes é melhor no apoio pela direita do que Hulk ou Lucas? Eu acho que não.

Escalar a defesa do jeito correto, até a minha avó acerta. E a sua também. Agora, escalar corretamente o ataque nos daria aquela agressividade que fazia os gringos suarem frio ao enfrentar a amarelinha. Sensação semelhante à dos jogadores que descobrem ter o Barcelona como próximo adversário. Mano não tem feito isso. Hulk, Hernanes, Lucas e Damião têm qualidade.

Jonás
Acabei de tomar banho e lembrei de outra lambança tática do El Pibe de Oro. Não conhecia o futebol de Jonás Gutiérrez até a Copa de 2010. Foi então que o vi atuar, se não me engano, como volante, lateral e por fim em sua posição original, meia pela esquerda. Tive a impressão de nunca ter visto um jogador tão ruim atuar pela seleção argentina. Por incrível que pareça, logo após a Copa comecei a acompanhar tudo sobre o Campeonato Inglês, surgindo uma admiração forte pelo Newcastle United, time que tem um estilo "Palmeiras" de atuar, com técnica mas também muita garra, raça. E assim foi feito justiça ao futebol do meia argentino, depois de muitas partidas assistidas. Hoje, reconheço: o cara é um craque de bola. Porra, Maradona!

Pra pensar...
Colocar Ronaldinho centralizado e Hernanes aberto pela direita, para alguém que está pressionado no cargo por resultados, frente à uma seleção de segunda linha (apesar de ter lá seus méritos) não parece uma decisão sensata. Estaria Mano "pedindo pra sair"?

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Rodada de Carnaval

Palmeiras 3 x 2 Guaratinguetá, 8ª rodada - Paulistão 2012
17/02/2012




Considerações iniciais
O time entrou no esquema que vem jogando habitualmente, com Daniel centralizado, Maikon e Patrik pelas pontas com Barcos na referência. Após a saída de Luan, Kid e Márcio Araújo inverteram posições, uma solução prática que vem dando certo. Além disso, com Assunção pela direita fica mais fácil realizar lançamentos em profundidade para Maikon. O time, no entanto, pouco criou. Daniel, apático como na última apresentação, não conseguiu realizar jogadas nem com Maikon ou mesmo Barcos. A única jogada de efeito aconteceu aos 4', pela direita. Maikon recebeu lançamento de Daniel na ponta direita, cortou o defensor do Guará e bateu pra fora. Até os 10' iniciais, isso foi tudo.

4-2-3-1 habitual: Artur no lugar de Cicinho.

E foi justamente aos 10' que veio a ducha de água fria. Após tiro de meta cobrado pelo goleiro Jaílson, a  bola quicou, o volante Pio conseguiu aplicar um chapéu em Juninho e, em um lance de rara inspiração (que, Lei de Murphy ou não, só acontece contra o Palmeiras. Exemplos recentes: chutaço do Jumar do Vasco, chutaço do Fernando do Grêmio, etc...) acertou o ângulo direito de Deola.

A sacudida deu novo ânimo ao time. Artur subiu mais, realizando jogadas com Maikon (no minuto seguinte, que cruzou para Patrik) e Barcos aos 13'. O time continuou pressionando, até que aos 17' surgiu uma jogada bem conhecida da torcida, falta à média distância pela esquerda. Marcos Assunção cobrou a falta, o goleiro deu rebote e na sequência ganhamos o escanteio. Kid cobrou fechado, no primeiro pau, Jaílson deu rebote novamente e Artur, o lateral-artilheiro, completou. 1-1 em Guará.

O time estava seguro em campo, só tomou mais uma chance de perigo do time adversário com Nenê, passando "quase sem querer" por Leandro Amaro pela esquerda e batendo por cima do gol do Deola. Aos 29', Artur sentiu dores e foi substituido por João Vítor. O esquema, essencialmente, não mudou. Com o meio campo muito truncado e Daniel Carvalho pouco criando, o jeito era deslocar as jogadas para os cantos. Aos 42', Patrik lançou Maikon pela direita, que bateu cruzado mas Barcos não conseguiu desviar para o gol.

Aos 46', porém, o lance que facilitou a vitória. Em grande jogada entre a dupla de ataque, Maikon lançou Barcos na grande área, que só fez o pivô para que Maikon passasse por dois marcadores e tentasse finalizar, mas foi derrubado por Daniel. O volante foi expulso e Barcos, nosso novo cobrador, converteu. Verdão 2-1.

Segundo tempo
Até os 10' iniciais, quando um refletor parou de funcionar, o jogo continuou sem muita ação, Em um lançamento de Maikon pela direita, Barcos dominou e fuzilou por cima do gol. Então, a arbitragem resolveu liberar os cartões. Entre 11' e 14', Barcos, Kid e Juninho foram amarelados. No próximo jogo teremos que nos virar sem Assunção, suspenso. Depois do lance, Felipão tirou Juninho para a entrada de Gerley, que além de poupar o lateral de um segundo amarelo, deu novo fôlego às jogadas pela esquerda, principalmente com Patrik. O time seguiu dependendo das jogadas de Maikon e Barcos, inspirados. Em um lançamento de Assunção pelo meio, Maikon saiu cara a cara com o goleiro Jaílson mas foi derrubado pelo zagueiro Baggio.

Com 2 a menos, Felipão trocou Daniel Carvalho por um atacante, Vinícius (que até tentou alguma coisa), e não por um volante como habitualmente faz. O problema é que o time não conseguiu deslanchar, pecando nas finalizações. Tanto é prova disso o gol de João Vítor, que só saiu aos 41' em um chute de fora da área, desviado, e que por sorte entrou no gol. Estava tudo definido, mas o Palmeiras de Felipão sempre garante fortes emoções até o final. Falta de Patrik pela lateral esquerda. Deola colocou dois jogadores na barreira. Pela distância do chute, deve ter achado que Pio fosse cruzar. O volante bateu de três dedos, a bola passou por baixo do goleiro. 3-2 e final de jogo.

Agora é ir pra folia. Líderes!
O gramado ajudou, mas o excesso de vontade é que atrapalhou nas finalizações. Tínhamos o domínio do jogo em alguns momentos, e poderíamos ter marcado mais gols. Mesmo assim, com dois a mais, o time não conseguiu engrenar. Faltou calma. Dos pontos que queria observar, gostei de duas coisas. Artur foi bem substituindo Cicinho, fez o jogo andar pela direita com Maikon e ainda marcou outro gol. Uma pena sair lesionado, mas parece que não é nada sério. Outro ponto positivo da partida é o entrosamento entre a dupla de ataque (Maikon Leite - Barcos), que deu trabalho infernal à defesa do Guará. Uma nota negativa vai para o rendimento de Daniel Carvalho. Esperava uma evolução do jogador, mas foi pouco participativo. Não sei se faltou preparo, já que atuou até os 33' do 2T. Era o jogador do passe pelo meio, do último toque. Patrik atuou bem novamente, foi participativo e é assim que vai aos poucos se estabelecendo naquela posição. Com a saída de Luan, seria ótimo manter essa regularidade. O último ponto é a suposta falha de Deola. Pela distância da cobrança, não foi um erro colocar 2 jogadores na barreira. Mas Pio, aos 48', com o time sem dois jogadores, resolveu chutar. Para a sorte dele, a bola passou bem debaixo do goleiro. Aí, pode ser Van der Sar, Casillas, o que for. Sorte dele.