sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Verdão 2013 x Verdão 2012

A matéria começa falando de "jogo sonolento para pouco menos de 4 mil pessoas". Dois gols de Marcos Assunção, um no começo do jogo, outro no final, garantiram a vitória de 2 a 0 sobre o Mogi Mirim pela mesma 4ª rodada daquela edição do Paulista de 2012. Poucos lances de perigo com a bola nos pés, lentidão na transição entre defesa e ataque, baixo rendimento na frente, dependência de Marcos Assunção. Assim era a vida do Palmeiras no ano passado.

A principal diferença que salta aos olhos é a quantidade de finalizações no alvo. Isso indica uma mudança qualitativa do jogador em si. Peça a peça, são jogadores melhores. Depois, o fato que os gols do "Verdão 2013" saíram de jogadas mais bem trabalhadas - poderia ser mais, inclusive. Isso indica uma melhora coletiva, do jogo coletivo do time. Bom sinal.

Palmeiras 2012, 4ª rodada: Deola; Cicinho, Leandro Amaro, Henrique e Juninho; Márcio Araújo e Marcos Assunção; Patrik, Valdívia e Luan; Fernandão. Armado no 4-2-3-1. Ao longo do jogo entraram João Vítor, Daniel Carvalho e Chico.




Palmeiras 2013, 4ª rodada: Prass; Ayrton, Maurício Ramos, Henrique e Juninho; Márcio Araújo, Wesley e Valdívia; Maikon Leite, Barcos e Vinícius. Armado no 4-3-3. Ao longo do jogo entraram Patrik Vieira, Edilson e Wendel.




quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O 4-3-3 de Kleina

Campeonato Paulista 2013
Palmeiras 3 x 0 São Bernardo
31/01/2013
Pacaembu


Hoje fui ao Pacaembu ver o 4-3-3 do Kleina.

Em amarelo, apoio defensivo / azul, movimentação / vermelho, apoio ofensivo

O esquema funcionou diante de um time regular atuando no 4-2-3-1 inicialmente. Valdívia atuou um pouco isolado no começo, sem muita movimentação. As jogadas se baseavam nas corridas de Vinicius e Maikon Leite e até que funcionaram razoavelmente bem. A grande sacada desse esquema é que provavelmente ele se adéqua melhor às características dos dois jogadores. Muitas vezes exigimos de Maikon que ele drible ou faça algo mais "cerebral", pensando no Maikon que não era um ponta "puro" do passado. O lance dele é receber a bola de costas pro lateral, onde já domina a bola tirando do marcador e dispara até a linha de fundo ou dando o pique longo nas costas do oponente para receber a bola de frente para o gol.

Já a questão das finalizações é outra história. Na minha opinião, finalizar ele sabe, até porque todas são no meio do gol. Poderia ser pior, ele poderia chutar pra fora, na arquibancada, por cima. Aí sim diriamos que ele não sabe finalizar. Minha crença é que se Maikon aprendesse a finalizar um pouquinho melhor (um ajuste fino), tirando mais do goleiro, ele seria certamente um dos melhores atacantes do país, sem exagero. Levante a quantidade de situações em que ele fica no mano a mano com o goleiro durante um jogo. É considerável.

O mesmo podemos dizer de Vinícius, que se não tem a mesma velocidade, possui um pouco mais de habilidade com a bola dominada. Muita gente reclamou nas arquibancadas que o garoto não levanta a cabeça, que não tem visão de jogo. Isso procede, claro, mas acho bom termos um pouco mais de paciência. Os palmeirenses em geral esculhambam o rendimento do garoto em campo, provavelmente pelo tempo que está atuando no time principal (subiu com 16 anos, logo está há uns bons 4 anos). Ele não é um garoto prodígio (o próprio Wesley despontou ainda garoto naquele Santos do Dorival Júnior aos 22 anos) mas ainda tem espaço para crescer, não é um jogador que possamos dizer que está pronto. Basta olharmos a evolução do próprio Souza, que voltou do seu "retiro" bastante melhorado. E o garoto tem gás - acompanhava o lateral e ainda aparecia na frente.

Enfim, os pontas estavam atuando bem, os laterais se alternando nas subidas. Ayrton fez ótima partida, pega muito bem na bola. Cobrou faltas, fez vários lançamentos, arriscou uns passes à la Paul Scholes (aquele passe longo, chapado, a bola parece deslizar devagar sobre o ar e quica muito pouco quando cai). É a nossa opção para praticamente todas as bolas paradas, exceto nos tiros de longa distância. Acho Souza melhor nesse quesito. Com o jogador no DM, acho bom ele cruzar esse tipo de bola.

A verdade é que, mesmo com essas funções sendo bem executadas, o time só começou a ser eficiente com a "entrada" no jogo de Wesley - bastante criticado pela torcida - e Valdívia. O volante, apesar de ter errado alguns passes que até quase nos comprometeram, é rápido, criativo, habilidoso, inteligente e arma bem jogadas. A criatividade é uma qualidade rara e muitas vezes resolve situações complicadas, torna nosso jogo imprevisível. Se errar menos passes, será fundamental. Quando teve seu melhor rendimento no jogo, entre metade do primeiro tempo e metade do segundo, ajudou bastante a equipe e ainda deu origem à jogada do terceiro gol. Já a qualidade de Valdívia é indiscutível. Apesar de sofrer diversas faltas - caindo em boa parte delas - a principal característica do jogador é a visão de jogo, dando fluidez na transição ofensiva. Passes que normalmente jogadores comuns possuem dificuldade em "enxergar" o chileno executa com uma rapidez e exatidão, eu diria, "gostosa de ver". Percebe rapidamente algum jogador acelerando ou em condições de receber a bola em uma área bastante ampla do campo. Isso não acontece durante os 90', mas quando ocorre e está inspirado, é ótimo. Participou do primeiro gol - deu uma resvalada na bola que Barcos meteu de barriga - e marcou o segundo.

Conclusões
O time - não o elenco - nesse esquema funcionou bem, mesmo para uma primeira partida. Os três atacantes "prendem" mais os laterais adversários em seu campo defensivo, permitindo uma atuação mais livre dos nossos alas. Ayrton foi bem, Juninho anda um pouco apagado. A cobertura dos alas foi bem executada pela dupla de volantes e zagueiros, não tomamos sufoco pelo alto (o que é raro), em suma, sofremos mais com nossos próprios erros - forçados de início pela marcação adiantada do time de São Bernardo - do que por mérito deles. Prass que o diga, espirrou uma bola bizonha.

Uma das deficiências do esquema, como o próprio Kleina já esperava e confirmou na coletiva após o jogo, é a bola que perdemos no ataque. São três jogadores na frente, nem sempre algum dos pontas tem condição de voltar ou acompanhar um lateral, o meia armador idem, a superioridade numérica do time adversário no contra-ataque é quase certa. O time de São Bernardo teve espaço de sobra nesse tipo de jogada e só esbarrou na própria ineficiência. Uma delas, emblemática, foi a do escanteio do Verdão em que os dois zagueiros demoraram para chegar na área. O árbitro mandou voltar a cobrança e os dois ainda não tinham chegado. Quando a cobrança foi feita, curtinha entre Maikon Leite e Ayrton, o time perdeu a posse e tomou contra-ataque. Henrique e Maurício Ramos demoraram a recuar e havia espaço de sobra pela lateral direita. Resumindo, a bola de Fernando Baiano só parou no travessão. Sem falar no camisa 8 (Kléber) que por várias vezes parecia aquela tiazinha procurando vaga no estacionamento do Shopping, rondando a entrada da grande área como queria.

Isso vai se repetir. Contra jogadores mais talentosos? Provavelmente não.

Outra característica do esquema é que ele "lateraliza" as jogadas, coisa que tira um pouco das costas do time a dependência de um armador central. O jogo fica menos "trabalhado", mas ganha em velocidade - a estratégia é mais simples. Com grande parte dos times hoje atuando no 4-2-3-1, com 5 meio-campistas, é boa alternativa. Muitas vezes vi Valdívia até fora da marcação do time adversário que por várias vezes formava um pentágono no meio campo, oco, mesmo quando tínhamos a posse. E isso não nos impediu de criar jogadas ofensivas.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Adeus Tirone!

Pronto. Só queria dizer isso.
Ufa!

***

Boa sorte ao novo presidente.
E que tudo seja diferente.
Foram 2 anos de sofrimento interminável.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Fatos relevantes!

Muitos (?) se devem perguntar porque a gente não escreve sobre a política no clube. Sou direto: leiam o título do blog.

Entretanto, há momentos em que fatos relevantes acontecem e precisamos nos manifestar. Duas ocorrências em especial aconteceram recentemente: a saída de Marcos Assunção e a demora na reapresentação do "Mago", como assim gosta de ser chamado.

Acho que ele tá apontando pro Tirone agora


1. Saída de Marcos Assunção: Perdemos um líder e exímio batedor de faltas. A única coisa que podemos dizer é obrigado. Obrigado por ter sido tão decisivo em tantas ocasiões, em ter livrado o rabo da diretoria em tantos momentos em que o coletivo não era suficiente e precisava brilhar a individualidade. Como dizia Casillas, "Necesito suerte ante Assunção" (aqui e aqui). Engraçado que no site da Fifa tem o adendo "um pouco". Estranho, não?

No curto prazo: perdemos um líder, um cara que motiva o time nos momentos de baixa e que é extremamente importante no vestiário. Mas o time não é apenas um cara e geralmente diversas lideranças coexistem. Henrique, Bruno e outros podem ser esses caras. Perdemos também um cara decisivo, que não amarela, desequilibra jogos equilibrados, clínico nas cobranças de bola parada e que pode nos fazer falta na hora de cobrar uma falta. Irônico, não?

No longo prazo, isso forçará inevitavelmente o desenvolvimento do jogo coletivo da equipe, o que pode ser benéfico sob diversos aspectos, até para a filosofia do time. Uma grande equipe sempre preza pelo trabalho coletivo acima das individualidades, mesmo que em certos momentos ela possa - e deva - aparecer. Messi, por exemplo, poderia pegar a bola e sair driblando meio mundo o tempo todo (coisa que ele até faz e melhor do que ninguém) mas geralmente não é o que acontece. Na temporada 2011-12, pegando uma formação comum do Barça, temos em média 780 (totais, não corretos) passes por partida (utilizando dados do WhoScored.com). Segundo números do Datafolha (clique aqui), o Verdão no Brasileiro de 2012 deu em média 280 passes por partida. Qualquer pessoa que gosta de futebol acharia exagerado comparar qualquer time com o Barça, portanto vamos pegar dois outros times que também tem por característica o jogo de passes: Borussia Dortmund e Manchester City fecharam a temporada passada, em suas principais formações, com aproximadamente 465 e 488 passes em média, por partida. Quem gosta de estatística pode  brincar a vontade.

Outro ponto é que Assunção também era criticado por ser lento, marcar pouco e deixar espaços importantes para os adversários, principalmente quando jogava pela esquerda. O que podemos dizer é que qualquer treinador que o selecionasse estava ciente disso - o que é mais do que óbvio, o homem tem apenas 36 anos! O que podemos ganhar nesse quesito é um pouco de velocidade e marcação no meio-campo. Uma coisa é clara: se o Kid era ou não era um exímio marcador, não podemos reclamar era da entrega dentro de campo, sempre dedicado.

Concluindo, só temos a agradecer, mas a vida continua sem Assunção. Precisamos seguir adiante, olhar adiante e isso não pode nos abalar. Seremos eternamente gratos ao grande profissional que passou pelo clube. Kid Eterno!

2. Reapresentação de Valdívia: é a velha história. Pode ser bom de bola, se desculpar em público, dizer que não quer sair, que gosta do time, mas o fato é que quase nunca está em campo e está sempre se metendo em confusão. Tirem suas próprias conclusões. De novo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Contagem Regressiva!!!

Não estou aguentando tamanha ansiedade para ver o Palmeiras livre disso. Dia 21 será um grande dia e todos os palmeirenses sabem disso. É o dia da verdadeira mudança.

As coisas não mudarão de imediato, é certo. Talvez uns quatro, cinco anos? Quem sabe. Mas o simples fato de pessoas inaptas ao cargo serem destituídas será um grande alívio para um time que merece muito mais do que tem recebido nos últimos anos dessa gestão, no mínimo, catastrófica.

E pra quem diz que não dá pra medir a ansiedade pela saída dos bananas, dá sim! Torcedores do verdão criaram esse divertidíssimo contador para o evento mais esperado de 2013!

Basta acessar adeustirone.com.br para ver quantos dias, horas, minutos e segundos faltam para o grande dia do Verdão em 2013.

Boas Festas e Feliz Ano Novo!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Os 91 de Messi




Como ele faz isso em tão alto nível ainda é místico para muitos. Extremamente preciso, timing perfeito, chuta nos contra-pés dos goleiros, em ângulos impossíveis de serem defendidos, muitas vezes até sem força, manda por baixo das pernas, por cobertura, bate com os dois pés, marca de cabeça, de falta, de pênalti. Tecnicamente brilhante, posicionamento perfeito, frio como um atirador de elite, extremamente habilidoso na arte do drible, mestre na eficiência.

Difícil não levar o quarto prêmio de melhor jogador do mundo. Que já é merecido, isso é claro.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Lições (por Newton Sgobbi)

Comentário do amigo palestrino Newton Sgobbi, vale a pena ler. Trata-se de uma reflexão que todos deveríamos fazer nesse momento...

"Amigos Palmeirenses:

Acredito que já expressei aqui o que eu penso daquele time preto-e-branco várias vezes, então tenho isenção total para traduzir meu sentimento agora.


Independente da ajuda governamental, do jogo de influências, das sacanagens mil, das arbitragens, em um ano apenas, (mais um fato para marcar a gestão maledeta de uma pessoa ridicula, incapaz e tosca como B1 e seus pares) o nosso maior rival não apenas empatou em conquistas internacionais (Libertadores) como conseguiu aquilo que tinhamos absolutamente na mão 13 anos antes, e conseguimos perder. Inveja ? Jamais. Lições ? muitas:


1. Casa dividida não subsiste. Enquanto eles (sabe-se lá como) acabaram com todas as divisões internas, e foram unidos para o ano da redenção, nós continuamos divididos e ainda aprofundamos algumas chagas internas (influencia do Mustafa ainda pós-2002).

2. Reconhecer que está por baixo. Não quero aqui comentar o adversário, mas sim o nosso clube: voces acham que estamos fazendo isso ? que admitimos o fundo do poço ? Não !! Só busca a cura quem reconhece que está doente. Não apenas a besta humana cogita se reeleger como chega a dizer absurdos como que temos o 5º elenco do país. Um louco, retardado, autista.
3. Craques são bons mas um elenco é melhor. Herói do titulo veio do "tradicionalíssimo" futebol peruano, deve ter sido contratado por menos de um mês de salário de um tal chileno que adora banheiras cheias de vagabundas, e desrespeita quem lhe paga o salário simulando (ou pelo menos não se esforçando para evitar) contusões mil, além do mal comportamento em campo que custa partidas de suspensão. Quem são os craques do gambá ? Nenhum. Mas um elenco nota 7,5 unido ganha qualquer coisa.
4. Apostar no trabalho, trabalho, trabalho. Nós mesmos nos divertimos à valer com o Tolima day. Valeu. Mas eles tiraram lições daquilo. Deve ter doido muito. A recompensa pela manutenção do plano de ação, técnico e jogadores, deu no que voces estão escutando hoje.
5. A força da marca. Com toda a isenção, não acho em hipótese alguma a marca "Palmeiras" inferior à SCCP. Se somos inferiores em volume (sem dúvida), é notório que o Palmeiras é um nome ligado essencialmente à classe média, sem aspectos negativos associados à marca (vandalismo, ajudas, vista grossa das autoridades e favorecimentos). Somos mais "limpos" sem nenhum preconceito associado, isto é fato. Mas, sempre tem um mas, o trabalho de mktg realizado por eles, de expansão, penetração e visibilidade da marca é fenomenal. Não tem termos de comparação conosco porque simplesmente não existe o nosso, somos literalmente zero. Um momento excepcional de partida e recomeço surge agora. Primeiro, desvincular a marca da série B. Sim, isto é possivel e necessário. A nossa torcida aceitou isto como um peso à carregar de forma irrefutável, e não é ! No primeiro semestre, disputaremos Paulistão e Libertadores em igualdade de condições (regulamentares, não de elenco) com todos os demais. No segundo semestre, entraremos na CB em condição favorável. Em termos puramente técnicos, podemos estar no Marrocos para a disputa do título mundial, em 12 meses, o rebaixamento não nos privou disso. Claro que não acontecerá, não porque sou pessimista, mas porque nossa direção, inclusos os candidatos de oposição, não têm qualquer visão de grandeza e de futuro. Ainda se discutem nas alamedas palmeirenses as benesses dos conselheiros. É isto que nos derrota, não o adversário do outro lado do gramado. A lição 5 é a recuperação da auto-estima, do valor e da visibilidade da marca. Mas como eu costumo dizer. A luta é imensa, pois começa dentro de casa !!

Jamais torci para eles. Jamais torcerei. Mas ao contrário de muitos torcedores (deles e nossos) eu tenho auto-crítica e sei reconhecer um resultado. Maracutaias, cbf e arbitragens favoráveis sózinhas, não fazem um time campeão.


Agora imaginem o tamanho da nossa jornada: Jogando limpo, sem apoio federal, nem da midia, e ainda precisando vencer primeiro as divisões internas.


Será uma guerra longa, de muitas batalhas.

Mas o sabor da vitória será muito mais gostoso !
Feliz século 21, Palmeirenses espalhados pelo mundo.

Um abraço !"