terça-feira, 12 de julho de 2011
COPA AMÉRICA: Batista acertou o time?
Será que Batista acertou o time?
Bastaram algumas mudanças para o time argentino melhorar, e muito. Armado no 4-2-3-1, tirou Lavezzi pela direita e, justo, colocou Di María, que joga nessa posição pelo Real Madrid. Trocou Tevez, fora de posição pela esquerda, por Agüero, que atua mais por este lado no Atlético de Madrid e que fez ótimas partidas, mesmo sendo reserva. Resultado? Dois gols de Agüero, um de Di María. Higuain ainda poderia ter deixado o seu, não fosse a falta de pontaria, ainda fora de ritmo (não entrou contra a Bolívia e contra a Colômbia jogou apenas os minutos finais da partida) após retorno de uma operação de hérnia.
A Costa Rica veio em um 5-4-1, alterando para o 4-1-4-1 com a entrada de Valle, mas a "estrela" Campbell esbarrou na marcação de Mascherano e no domínio da posse de bola argentino. A dupla formada pelo meia Elizondo e o ala Leal não surtiu efeito pela esquerda, mesmo com Zabaleta apoiando bastante o ataque. Mora fez boas jogadas, mas foi insuficiente para furar o bloqueio dos hermanos.
Messi brilha
A saída de Cambiasso e Banega para a entrada de Gago e Di María deu mais liberdade à Messi. Como Banega pouco criava, Messi tinha que atuar muito recuado para receber a bola. Gago funcionou como segundo volante, chegando mais ao ataque.Foi de seus pés que saiu a jogada do primeiro gol argentino no final do primeiro tempo, após várias oportunidades desperdiçadas. O volante reserva do Real Madrid chutou forte, Moreira espalmou e Agüero só completou.
Com mais liberdade e atuando atrás de um centroavante nato e não um "falso nove", como Tevez - que acabava empurrando o jogador para o campo defensivo em seu movimento para buscar a bola -, Messi pode atuar menos recuado. E agora com Gago às costas chegando mais à frente que Banega, ficou melhor posicionado e atuou como o "garçom" dessa equipe, realizando assistências e distribuindo inúmeras chances de gol para Agüero, Higuain e Di María.
Considerações
Sérgio Batista pode ter acertado o time neste último jogo da fase de grupos da Copa América? A questão que fica no ar é a seguinte: será essa a Argentina que continuaremos a ver durante a Copa ou apenas sua face mais agressiva? Lembramos que o time da Costa Rica, além de fraco tecnicamente, é sub-22. O poderio ofensivo argentino ficaria mais claro frente à um adversário de peso, como Colômbia ou até mesmo a Bolívia. Poucas coisas ficam claras.
O time errou menos nas finalizações após o primeiro gol e isso representa um grande avanço. Outro avanço é o posicionamento de Messi, recebendo a bola em melhores condições com a presença de Gago e Higuain, se movimentando entre os volantes e os zagueiros, como está acostumado a jogar no Barça. A dinâmica que interessa é: 1) a saída de qualidade do segundo volante, puxando a marcação dos meias 2) a presença do centroavante fixo, sem empurrar o jogador para a intermediária, como fazia Tevez e 3) a movimentação dos pontas, confundindo a marcação da zaga e dos laterais. Isso libera espaço na intermediária para que Messi, sempre muito bem marcado, atue. E quando ele atua, fica difícil segurar o resultado.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
9ª rodada: Palmeiras 3 x 0 Santos
estatísticas: UOL.com.br
Já era esperado
Felipão tem fama de retranqueiro, joga com mais volantes que o necessário, mas frente a um Santos repleto de desfalques, era a hora de realizar as mudanças que este humilde blog já apontava. O rendimento de Lincoln, como já observamos, caiu consideravelmente, e a possível saída do meia já se especula na mídia (leia aqui). Na ausência de Valdívia, era preciso colocar Patrik e Tinga de volta, tanto pela necessidade quanto para recuperar ritmo de jogo, pois provavelmente terão de atuar seguidas vezes sem a volta de Valdívia e sem a (muito provável) chegada de Martinuccio. Felipão foi de 4-2-2-2, com Patrik na armação pela direita e Luan recuando para marcar pela esquerda. Tinga entrou no segundo tempo para melhorar a marcação de Léo, pela esquerda.
Luan novamente decisivo
Apesar da marcação forte, a defesa santista vacilou e deixou Maikon passar livre enquanto partia para cima de Luan. O ponta-esquerda conseguiu passar a bola entre dois marcadores, e Maikon ficou no mano a mano com Rafael, marcando o primeiro gol logo aos 20 minutos.
No segundo, aos 29 minutos, a jogada forte do Palmeiras nesse campeonato. Escanteio no primeiro pau cobrado por Marcos Assunção e direto para a cabeça de Maurício Ramos. Novamente, falha de marcação santista.
Com o resultado quase garantido, o time ampliou em um golaço de Patrik, que contou com um pouco de sorte. O meia tabelou com Márcio Araújo pela direita, a marcação santista fechou, a bola resvalou em Rodrigo Possebon, sobrou novamente para Patrik que chutou forte, cruzado, no ângulo esquerdo do gol de Rafael. Diga-se de passagem, Possebon veio do Manchester United (estava emprestado ao Braga) e ainda não apresentou futebol digno de quem já substituiu Ryan Giggs.
Segundo tempo
Com Tinga no lugar de Maikon Leite, o time ficou praticamente no 4-2-3-1, com Dinei de centroavante. Patrik fez ótima partida e só foi substituído ao final do jogo, em uma nova alteração tática, com a entrada de Pierre em seu lugar, formando um 4-3-3 com 3 volantes (Marcos Assunção - Pierre - Márcio Araújo) para garantir um resultado difícil de se reverter. A entrada de Pierre sinaliza um possível rodízio de volantes no futuro, já que os dois volantes-chave e homens de confiança de Felipão têm jogado praticamente todos os jogos do campeonato, talvez na tentativa de reduzir o desgaste dos jogadores. A saída de Marcos Assunção é a mais preocupante, já que o time tem no jogador duas de suas principais armas: o escanteio no primeiro pau e as faltas de média e longa distância. Márcio Araújo é extremamente regular pela direita, mas menos decisivo. Placar selado, Palmeiras de volta ao G-4.
Futuro nebuloso
Enquanto o rendimento de Lincoln cai e o de Luan aumenta, uma coisa os dois têm em comum: especulações sobre uma possível saída. A diretoria do Toulouse já disse que conta com o retorno de Luan e a relação custo-benefício de Lincoln e o fato do jogador não ter sido relacionado para o jogo contra o Santos aumentam os boatos sobre a sua saída. Além disso, Kléber pode estar de malas prontas jogar no Flamengo, pela resistência em realizar o 7º jogo no campeonato. Para se ter uma idéia, o jogador tinha condições para o jogo contra o Santos, estava relacionado, mas não concentrou.
Se o futebol apresentado ontem agradou à torcida, o time terá dificuldades se não definir logo o futuro incerto de Luan e Kléber, pois diversas peças de reposição serão necessárias caso a saída dos jogadores serão necessárias. No ataque, Adriano já foi vendido e o nome de Wellington Paulista aparece mais na mídia devido às especulações sobre seu passe do que ao futebol que tem jogado. Se perdermos mais esses dois jogadores, ficaremos com Dinei e Maikon Leite. É muito pouco para o Palmeiras.
Considerações
Para o próximo confronto, dificílimo, na minha opinião, contra um Flamengo em clara ascenção, a única vantagem é que jogaremos em casa. Taticamente, o Flamengo de Luxemburgo tem muito mais qualidade ofensiva da linha de volantes para frente. Armado no 4-2-3-1, com Ronaldinho centralizado, Thiago Neves pela direita, Renato Abreu pela esquerda e Deivid, agora em boa fase, como finalizador, é difícil pensar que o Palmeiras, não entrará, por exemplo, com três volantes, com um deles fixo em Ronaldinho. Meu palpite é que o time entra com 4-3-1-2, com Patrik armando à frente de Marcos Assunção-Pierre-Márcio Araújo, com Maikon Leite e Dinei no ataque. Talvez Felipão sacrifique uma de nossas opções ofensivas pelas laterais, talvez improvisando Chico pela esquerda, ou recuando Márcio Araújo para a lateral-direita e colocando Chico na linha de volantes. O fato é que o time precisa tomar uma decisão contra o ataque carioca.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
8ª rodada: Palmeiras 1 x 1 América-MG
estatísticas: UOL.com.br
Time sem criação, velho dilema
Não sei se é insistência do treinador em manter o jogador no elenco para justificar sua contratação, mas acontece que o rendimento de Lincoln vem caindo jogo após jogo e isso já foi apontado no blog. Enquanto isso, Patrik não tem uma sequencia de jogos, o que impede a evolução do jogador na ausência de Valdívia e sem a chegada de Martinuccio. O fato é que o Palmeiras desperdiçou a oportunidade deixada por um adversário em queda livre, com meias que não conseguiram infiltrar na defesa alviverde (e foram substituídos) para servir Alessandro e principalmente Fábio Júnior, que não fez uma boa partida. Aliás, esse último foi peça-fundamental, pois deu lugar a Kempes, que seria decisivo para o América.
Wellington Paulista atuou, e de novo, não rendeu o que prometeu. Com a falta de criatividade no centro do 4-2-1-3 (4-2-2-2 sem a bola), o time dependeu novamente das bolas paradas. Chico atuou improvisado na lateral esquerda, e Dinei entrou no lugar de WP ao final da partida. Patrik entrou no lugar de Lincoln, João Vítor no lugar de Cicinho, basicamente, Felipão fez o que tinha que fazer, tirou quem não estava rendendo para tentar jogadores zerados.
Zagueiro bom se redime
Tenho uma teoria: (bons) zagueiros que vacilam tem grande chance de se redimir, ainda no mesmo jogo. A função do zagueiro comum é dificultar a vida do atacante. Bons zagueiros impedem que os gols aconteçam. Por isso os vacilos contam tanto na vida de um zagueiro. É como se diz no Tênis, um "erro não forçado", um pequeno "pecado", mas que no caso do zagueiro, atuando mais próximo ao gol, objetivo adversário, prejudicará - e muito - o time, com grande risco para a titularidade.
Faça um teste: procure no google "zagueiro marca contra e a favor", "zagueiro marca a favor e contra", "zagueiro se redime", "zagueiro de vilão a herói". São várias ocorrências. No Palmeiras não é diferente, quem não lembra do gol de Danilo na vitória contra o Atlético-PR no final do Brasileiro de 2009 que custou aos cofres do Palestra R$ 100 mil? Na noite seguinte, o zagueiro foi celebrado como herói, mas poucos se recordam que o gol do Atlético foi dele também, contra.
Contra-ataque do Coelho e Redenção
No contra-ataque armado por Kempes, Murício Ramos tinha ido à grande área. Voltou atrasado, não marcou Alessandro, que sobrou pela direita no lançamento do próprio Kempes, e fez para o Coelho.
Quando o meio-campo não funciona, a única arma que resta é a bola parada. E nisso, o time tem feito um excelente trabalho, principalmente com a ajuda de Marcos Assunção. Ele lançou a bola na pequena área, Chico tentou cabecear, a bola passou dele e resvalou no zagueiro do América. Na sobra, ele, Maurício Ramos, descontou para o Palmeiras.
Empate, novamente com sabor de derrota. Com isso, o time pega o Santos na próxima rodada sem a vice-liderança.
Considerações
Meu palpite é que Lincoln não será titular. Contra um Santos debilitado, talvez seja pouco deixar um meia isolado na criação para superar Arouca e Danilo, e Felipão poderá escalar Tinga/ Patrik pela meia-direita, Luan na meia-esquerda e no ataque, WP e Maikon no 4-2-2-2.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
COPA AMÉRICA: Argentina, rumo ao naufrágio
Primeiros Indícios
Batista não aprendeu. Novamente, insistiu com Lavezzi invertido na direita, Tevez jogado para a esquerda, três volantes, Messi de centroavante, uma réplica barata do falso nove do Barça. Novamente, mesmo erro, Banega não é Xavi e Cambiasso não é Iniesta. Logo, Messi teria de realizar o papel dos dois. Sim, ele ainda é o "melhor do mundo", mas não dá pra fazer o papel do segundo melhor do mundo e do terceiro melhor do mundo ao mesmo tempo, e ainda ser ele, o Messi fazedor de gols. Obviamente, não funcionou.
Criação estagnada
A Colômbia veio em 4-1-4-1, tentando congestionar a criação na linha entre os meias (?) e os volantes argentinos. Nem precisava. A Argentina não tinha criação. Aliás, tinha, estava ali, no banco de reservas, atendendo pelo nome de Javier Pastore e entrando em crise existencial, questionando-se, "por que ele não me coloca no lugar do Banega?". A Colômbia possuia poucos jogadores muito bons, como Falcão Garcia e Guarín, ambos campeões pelo Porto, mas o nível técnico do time não era dos melhores. A estratégia básica do time era simples: jogar a bola para Falcão, de preferência, aérea. Por isso uma linha de quatro meias à frente de Carlos Sanchez, todos com a incunbência de servi-lo. Quase funcionou. Em um contra-ataque rápido, Moreno quase conseguiu marcar aos 25.
Substituições inexplicáveis
O jogo continuou com boas chances para os dois lados, Lavezzi desperdiçou duas boas jogadas e Batista resolveu mexer no time. Trocou o ponta por Agüero e, inexplicavelmente, Cambiasso por Gago aos 64', volante por volante, sem alterar a estrutura do time. Aos 71', claramente desesperado por resultados, trocou Banega por Higuaín, botando o time em 4-2-4, queimando sua última substituição. Novamente, preferiu ignorar Pastore, que poderia auxiliar Messi na criação e dar viabilidade melhor ao ataque. O time bem que tentou, mas não conseguiu. Empatou, como no último jogo, e agora a Argentina tenta tudo na última rodada, contra a Costa Rica.
Considerações
Jogadores fora de posição, meio-campo inexistente, boas alternativas no banco, substituições equivocadas, posicionamento errado. Sérgio Batista tem realizado um péssimo trabalho frente ao time e pode se complicar ainda mais, levando à pior campanha do time em Copa América, e ainda anfitriã. A recusa por qualificar o meio-campo com Pastore, a insistência com Lavezzi, jogadores fora da posição de origem (Tevez e Lavezzi) ou mal posicionados (Messi) atrapalham o entrosamento do time. A falta de padrão de jogo é evidente, outro motivo para que a seleção argentina esteja em sério risco de cair antes do mata-mata. Isso só se consegue com uma sequência longa de jogos e a competição é curta. Não me parece que isso irá acontecer.
7ª rodada: Palmeiras 2 x 0 Atlético-GO
Como já era esperado...
Algumas alterações ocorreram como já era esperado. Leandro Amaro deu lugar a Maurício Ramos após o jogo contra o Ceará. Felipão montou um time bastante ofensivo em relação ao anterior, aproveitando da má fase adversária. Lincoln veio na criação, ao lado de Luan, na meia-esquerda. No ataque, Wellington Paulista substituiu Kléber, machucado, fazendo uma bela partida, mesmo atuando fora de posição. Mas a atuação mais esperada era mesmo de Maikon Leite, ex-Santos, e que fez uma excelente partida, sendo muito acionado, fazendo boas jogadas com Cicinho e Márcio Araújo pela direita, inclusive marcando gols. O time, que nas últimas partidas teve nas subidas de Luan pela esquerda seu ponto forte, agora ganha uma verdadeira "turbinada" pela direita.
O jogo
Palmeiras superior na maioria dos fundamentos, com uma pequena queda na qualidade do passe, influenciado por diversos fatores, tal como a falta de entrosamento do time, como alguns jogadores atuando fora de posição, a necessidade de buscar o resultado após um jogo fraco em Ceará.
Após um começo de partida tenso, sem conseguir encaixar o jogo e com a já esperada retranca do Atlético-GO, o time começou a engrenar pela direita e pela ótima atuação de Márcio Araújo e Maikon Leite. Em uma jogada inteligente, Márcio fez a diagonal pela direita e Maikon a diagonal em direção ao centro, confundindo a marcação. O volante chamou marcação e tocou para o estreiante, livre na cabeça da área, para fazer o primeiro gol do Palmeiras.
Se o Palmeiras estava sobrando pela direita, com a presença de Márcio Araújo, em sua centésima partida pelo time, Cicinho e Maikon Leite, pela esquerda o time contava com a má atuação do lateral direito Adriano, fato que de nada adiantaria se o time não soubesse aproveitar essa oportunidade. Gabriel Silva apoiou pela esquerda, e recebeu pênalti. Marcos Assunção converteu.
Até o final da partida, o jogo esfriou e os contra-ataques do Atlético começaram a surtir efeito, levando à primeira defesa de Marcos. O Palmeiras, entretanto, com uma marcação organizada e eficiente, não deu chances ao Dragão. Placar selado.
Observações
- Como o blog apontou na análise anterior, contra o Ceará, Lincoln poderia sair, talvez por um possível cansaço, evidenciado pelos números, muito aquém do que poderia produzir, em uma tendência claramente declinante na sequência de jogos que enfrentou. No jogo com o Atlético-GO, além de pouco produzir, saiu lesionado.
- O jogo contra o América-MG é o grande teste para o time para as recorrentes falhas em bola aérea que vinha sofrendo. O time mineiro tem bons cabeceadores, entre eles o muito perigoso Fábio Júnior.
- Desfalques: Gabriel Silva sai da lateral-esquerda do Palmeiras para juntar-se à seleção Sub-20. Marcos será sacado para atuar em forma contra o Santos. Kléber, até o momento, não será titular contra o Coelho.
- Caso Lincoln permaneça na criação, é provável que o time entre variando entre o 4-2-1-3 e o 4-4-2 (4-2-2-2) sem a bola.
domingo, 3 de julho de 2011
COPA AMÉRICA: Primeiras Táticas do Brasil
Quanto maior a expectativa, maior o tombo. Os 63% de posse de bola e 90 minutos de jogo não foram suficientes para que o Brasil conquistasse um tento. Isso quer dizer que a seleção fez uma partida ruim? Não exatamente. Teve o domínio do jogo e muitas chances foram criadas. Acredito que apenas algumas alterações a partir dessa partida contra a Venezuela podem ser realizadas, e são poucas.
Contexto é outro
Fato: mais de 90% das pessoas que assistiram ao jogo de ontem não sabem que México (Campeão da Copa Ouro e 9º colocado no Ranking Fifa) e Uruguai (semifinalista da Copa do Mundo) evoluíram consideravelmente, com seus principais jogadores atuando em grandes clubes da Europa e brilhando mundo afora, não sabem que o fato de a Argentina ter atuado mal foi uma mera questão tática, e que é provável que Sérgio Batista coloque para a próxima partida Di María na ponta esquerda, Agüero na direita, Pastore na ligação e Messi centralizado, de falso nove. O pior, a última memória recente que esses 90% (ou mais) possuem do time venezuelano é um gol antológico de Ronaldinho Gaúcho.
O futebol sul-americano evoluiu como um todo nos últimos 20 anos e mesmo que a Venezuela tenha atuado em um 4-4-2 compacto, variando para o 4-4-1-1, com o único objetivo de marcar e jogar no contra-ataque, a execução do esquema foi absolutamente impecável. Mérito para um time considerado saco de pancada da seleção canarinho.
Contexto é outro
Fato: mais de 90% das pessoas que assistiram ao jogo de ontem não sabem que México (Campeão da Copa Ouro e 9º colocado no Ranking Fifa) e Uruguai (semifinalista da Copa do Mundo) evoluíram consideravelmente, com seus principais jogadores atuando em grandes clubes da Europa e brilhando mundo afora, não sabem que o fato de a Argentina ter atuado mal foi uma mera questão tática, e que é provável que Sérgio Batista coloque para a próxima partida Di María na ponta esquerda, Agüero na direita, Pastore na ligação e Messi centralizado, de falso nove. O pior, a última memória recente que esses 90% (ou mais) possuem do time venezuelano é um gol antológico de Ronaldinho Gaúcho.
O futebol sul-americano evoluiu como um todo nos últimos 20 anos e mesmo que a Venezuela tenha atuado em um 4-4-2 compacto, variando para o 4-4-1-1, com o único objetivo de marcar e jogar no contra-ataque, a execução do esquema foi absolutamente impecável. Mérito para um time considerado saco de pancada da seleção canarinho.
O 4-2-3-1 de Mano
A seleção começou com o esquema utilizado inúmeras vezes e que tem tudo pra deslanchar agora com Ganso na armação. O problema é que sua segunda utilização - a primeira foi contra os EUA - não convenceu.
Basicamente, três fatores foram cruciais para a má atuação da seleção:
1) Neymar "estático"
Tanto Mano Menezes quanto Muricy Ramalho criticaram, logo após a partida, a movimentação da principal promessa brasileira. Segundo Mano, o jogo brasileiro foi previsível, muito óbvio, em clara referência ao atleta do Santos. Muricy foi mais direto, em um pronunciamento feito à uma rádio momentos após ter assistido à partida, dizendo que Neymar ficou muito parado, isolado na ponta-esquerda, e isso facilitou a marcação. Citou ainda o fato de sempre pedir ao jogador, no Santos, que movimentasse bastante para confundir a marcação e criar espaços. Robinho, jogando pela direita, fez bem essa função.
2) Posicionamento de Ganso
Difícil criticar o melhor meia em atividade do Brasil após retorno de lesão. Ganso não fez boa partida, isso é claro, mas tem qualidade e talento de sobra para melhorar durante a competição. E uma das principais pistas para sua atuação abaixo do esperado é seu posicionamento, jogando muito avançado, sem a característica que interessa à seleção, fazendo a engrenagem girar, no centro, distribuindo a bola que vem da defesa ao ataque. Quando isso não ocorre, sobra para Ramires e Lucas Leiva o papel que Mano tanto queria que Ganso realizasse, o de criador. Enfiado no ataque, é peça nula, de fácil marcação, só serve para fazer pivô.
3) Falta de Pontaria
Apesar dos problemas citados, chances foram criadas. E quando a bola enfim chegou, foi maltratada. Pato acertou o travessão. Neymar chutou pra fora uma bola que não costuma errar. A pior delas, uma chance clara de Robinho, mal finalizada e retirada de peito do caminho para o gol. Ficaria surpreso se não fosse justamente o ex-santista. Apesar da boa movimentação, invertendo posições, saindo da direita para a esquerda, é bem sabido que Robinho finaliza mal. Chuta fraco, no meio do gol. Quando usa a força, a direção do chute é duramente prejudicada. Lucas é mais veloz, joga mais verticalmente, faz a diagonal de forma excepcional e, principalmente, é mais decisivo, finaliza melhor. Acho que Robinho poderia dar lugar ao jovem jogador. Quanto ao Pato, faltou pouco, e quanto ao Neymar, acredito ser apenas uma má atuação. O atacante santista não costuma errar.
Laterais
Daniel Alves e André Santos podem aparecer mais para o jogo e realizar assistências. Pouco apareceram no jogo e as laterais poderiam ser melhor utilizadas.
Alterações ideais para a próxima partida
Robinho perde a vaga para Lucas. Ganso um pouco mais recuado, distribuindo o jogo de frente para a marcação, e não de costas como contra a Venezuela. Neymar movimentando-se mais. Pato na ponta.
Basicamente, três fatores foram cruciais para a má atuação da seleção:
1) Neymar "estático"
Tanto Mano Menezes quanto Muricy Ramalho criticaram, logo após a partida, a movimentação da principal promessa brasileira. Segundo Mano, o jogo brasileiro foi previsível, muito óbvio, em clara referência ao atleta do Santos. Muricy foi mais direto, em um pronunciamento feito à uma rádio momentos após ter assistido à partida, dizendo que Neymar ficou muito parado, isolado na ponta-esquerda, e isso facilitou a marcação. Citou ainda o fato de sempre pedir ao jogador, no Santos, que movimentasse bastante para confundir a marcação e criar espaços. Robinho, jogando pela direita, fez bem essa função.
2) Posicionamento de Ganso
Difícil criticar o melhor meia em atividade do Brasil após retorno de lesão. Ganso não fez boa partida, isso é claro, mas tem qualidade e talento de sobra para melhorar durante a competição. E uma das principais pistas para sua atuação abaixo do esperado é seu posicionamento, jogando muito avançado, sem a característica que interessa à seleção, fazendo a engrenagem girar, no centro, distribuindo a bola que vem da defesa ao ataque. Quando isso não ocorre, sobra para Ramires e Lucas Leiva o papel que Mano tanto queria que Ganso realizasse, o de criador. Enfiado no ataque, é peça nula, de fácil marcação, só serve para fazer pivô.
3) Falta de Pontaria
Apesar dos problemas citados, chances foram criadas. E quando a bola enfim chegou, foi maltratada. Pato acertou o travessão. Neymar chutou pra fora uma bola que não costuma errar. A pior delas, uma chance clara de Robinho, mal finalizada e retirada de peito do caminho para o gol. Ficaria surpreso se não fosse justamente o ex-santista. Apesar da boa movimentação, invertendo posições, saindo da direita para a esquerda, é bem sabido que Robinho finaliza mal. Chuta fraco, no meio do gol. Quando usa a força, a direção do chute é duramente prejudicada. Lucas é mais veloz, joga mais verticalmente, faz a diagonal de forma excepcional e, principalmente, é mais decisivo, finaliza melhor. Acho que Robinho poderia dar lugar ao jovem jogador. Quanto ao Pato, faltou pouco, e quanto ao Neymar, acredito ser apenas uma má atuação. O atacante santista não costuma errar.
Laterais
Daniel Alves e André Santos podem aparecer mais para o jogo e realizar assistências. Pouco apareceram no jogo e as laterais poderiam ser melhor utilizadas.
Alterações ideais para a próxima partida
Robinho perde a vaga para Lucas. Ganso um pouco mais recuado, distribuindo o jogo de frente para a marcação, e não de costas como contra a Venezuela. Neymar movimentando-se mais. Pato na ponta.
COPA AMÉRICA: Primeiras Táticas da Argentina
O jogo de estréia contra a Bolivia foi um treino tático para a Argentina e evidenciou muitas coisas. Sergio Batista trabalhou com dois sistemas táticos, basicamente. Sua dificuldade, porém, em replicar o "ambiente de Barcelona" ao time argentino para melhor utilização do craque Messi, ficou bastante clara. É o que veremos a seguir:
I) 4-3-3 Argentino x 4-3-3 Barça
Batista escalou a Argentina em um 4-3-3 que, apesar de parecido com o time catalão no papel, era um pouco bizarro.
Fora de posição
Tevez não é ponta-esquerda e Lavezzi, apesar de jogar na ponta pelo Napoli, estava escalado na direita e não na esquerda, como de costume. Apesar disso, Lavezzi conseguiu boas jogadas pela direita, correndo por fora do lateral esquerdo boliviano, Messi fazendo o passe entre o lateral e o zagueiro e ele entrando em diagonal para finalizar. A melhor chance de gol do primeiro tempo saiu dessa forma, porém, a finalização não saiu como deveria, e Lavezzi teve um primeiro tempo pouco produtivo.
Já Tevez, que gosta de atuar pelo meio no Manchester City, fazendo jogadas curtas, driblando e tabelando para depois finalizar, não soube atuar como ponta, que no caso faria amplas jogadas, utilizando da velocidade para furar a retranca boliviana. Também não rendeu.
Banega não encarnou Iniesta
Uma das características do falso-nove é buscar jogo no meio do campo, movimento que enfraquece a defesa adversária, pois dois ou mais defensores chegam para dar combate no jogador. Por isso, é primordial nesse esquema que um jogador de criação possa receber a bola livre de marcação. No Barcelona, quem recebe essa bola é o Iniesta. Acomodado, e com Cambiasso e Mascherano fazendo a marcação dos adversários, o Iniesta argentino, Ever Banega, pouco fez além da transição das bolas da defesa para o ataque. Atuou muito recuado e poderia ter dado mais apoio na frente. Não fez.
Marcação pressão e 4-1-4-1 sem a bola
O Barça mantém uma posse de bola espetacular de mais de 60% todo santo jogo. Ao senso comum, isso é mágica, não tem explicação. Um olhar mais aprofundado diria que isso é resultado de uma marcação pressão constante e, além disso, "implacável". Não há adjetivo melhor que esse para defini-la. Mais do que mera característica de jogo, é uma bela arma contra os oponentes. Se os espanhóis correm para possuir a bola assim que possível, descansam tudo e mais um pouco com ela nos pés. É a filosofia do "descansar com a bola" e cansar o adversário.
A "cópia" argentina, entretanto, não faz marcação pressão. Pior, sem a bola, os pontas recuam e Messi fica isolado à frente. Praticamente um 4-1-4-1. Ou seja, desmancha-se o 4-3-3 e com ele toda a sua dinâmica de jogo, o que deixa o time lento, compactado demais, e reduz drasticamente a criação de jogadas, dependendo de um vacilo adversário para realizar o contra-ataque. E isso leva tempo.
II) 4-2-3-1 no 2ºT
No segundo tempo, a Argentina entrou com o time no 4-2-3-1. Tevez atuou como centroavante, Cambiasso saiu para a entrada de Di Maria, que atuou na ponta esquerda. Posteriormente, Agüero entrou no lugar de Lavezzi, melhorando ainda mais o ataque pela direita.
Messi e Tevez não podem atuar juntos
Aqui, a falha de Sergio Batista foi colocar Tevez e Messi na mesma vertical. Tanto Messi quanto Tevez atuam como falso nove em seus clubes. Com isso, os recuos de Tevez "empurraram" Messi ainda mais para o setor defensivo. A entrada de Agüero no lugar de Lavezzi trouxe qualidade nas finalizações, e foi de um lindo voleio após cruzamento de Di Maria e ajeitada de peito de Burdisso que veio a salvação dos hermanos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: Time de bolas paradas?
Se o time se propõe a focar a criação das set-pieces, ou seja, das jogadas de bola parada, pode-se dizer que a Argentina fez um bom jogo. Foi de bola parada o gol boliviano e o argentino. Mas isso não é verdade. O time, pela característica de seus jogadores de ataque, foi feito para jogar com a bola nos pés. A partida foi péssima e o empate com um time medíocre como o boliviano evidencia isso. É preciso um pouco mais de cuidado com as necessidades táticas do time para criar um ambiente ideal para que se extraia o máximo que Messi possa render fora do Barça. Também é preciso que essa busca pelo ambiente ideal para a "Pulga" não prejudique outros setores, inclusive o ataque. Lavezzi e Tevez são excelentes jogadores lá fora, mas se não forem bem utilizados, rendem aquilo que se viu na estréia da anfitriã na Copa América: jogadores razoáveis e até ruins.
I) 4-3-3 Argentino x 4-3-3 Barça
Batista escalou a Argentina em um 4-3-3 que, apesar de parecido com o time catalão no papel, era um pouco bizarro.
Fora de posição
Tevez não é ponta-esquerda e Lavezzi, apesar de jogar na ponta pelo Napoli, estava escalado na direita e não na esquerda, como de costume. Apesar disso, Lavezzi conseguiu boas jogadas pela direita, correndo por fora do lateral esquerdo boliviano, Messi fazendo o passe entre o lateral e o zagueiro e ele entrando em diagonal para finalizar. A melhor chance de gol do primeiro tempo saiu dessa forma, porém, a finalização não saiu como deveria, e Lavezzi teve um primeiro tempo pouco produtivo.
Já Tevez, que gosta de atuar pelo meio no Manchester City, fazendo jogadas curtas, driblando e tabelando para depois finalizar, não soube atuar como ponta, que no caso faria amplas jogadas, utilizando da velocidade para furar a retranca boliviana. Também não rendeu.
Banega não encarnou Iniesta
Uma das características do falso-nove é buscar jogo no meio do campo, movimento que enfraquece a defesa adversária, pois dois ou mais defensores chegam para dar combate no jogador. Por isso, é primordial nesse esquema que um jogador de criação possa receber a bola livre de marcação. No Barcelona, quem recebe essa bola é o Iniesta. Acomodado, e com Cambiasso e Mascherano fazendo a marcação dos adversários, o Iniesta argentino, Ever Banega, pouco fez além da transição das bolas da defesa para o ataque. Atuou muito recuado e poderia ter dado mais apoio na frente. Não fez.
Marcação pressão e 4-1-4-1 sem a bola
O Barça mantém uma posse de bola espetacular de mais de 60% todo santo jogo. Ao senso comum, isso é mágica, não tem explicação. Um olhar mais aprofundado diria que isso é resultado de uma marcação pressão constante e, além disso, "implacável". Não há adjetivo melhor que esse para defini-la. Mais do que mera característica de jogo, é uma bela arma contra os oponentes. Se os espanhóis correm para possuir a bola assim que possível, descansam tudo e mais um pouco com ela nos pés. É a filosofia do "descansar com a bola" e cansar o adversário.
A "cópia" argentina, entretanto, não faz marcação pressão. Pior, sem a bola, os pontas recuam e Messi fica isolado à frente. Praticamente um 4-1-4-1. Ou seja, desmancha-se o 4-3-3 e com ele toda a sua dinâmica de jogo, o que deixa o time lento, compactado demais, e reduz drasticamente a criação de jogadas, dependendo de um vacilo adversário para realizar o contra-ataque. E isso leva tempo.
II) 4-2-3-1 no 2ºT
No segundo tempo, a Argentina entrou com o time no 4-2-3-1. Tevez atuou como centroavante, Cambiasso saiu para a entrada de Di Maria, que atuou na ponta esquerda. Posteriormente, Agüero entrou no lugar de Lavezzi, melhorando ainda mais o ataque pela direita.
Messi e Tevez não podem atuar juntos
Aqui, a falha de Sergio Batista foi colocar Tevez e Messi na mesma vertical. Tanto Messi quanto Tevez atuam como falso nove em seus clubes. Com isso, os recuos de Tevez "empurraram" Messi ainda mais para o setor defensivo. A entrada de Agüero no lugar de Lavezzi trouxe qualidade nas finalizações, e foi de um lindo voleio após cruzamento de Di Maria e ajeitada de peito de Burdisso que veio a salvação dos hermanos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: Time de bolas paradas?
Se o time se propõe a focar a criação das set-pieces, ou seja, das jogadas de bola parada, pode-se dizer que a Argentina fez um bom jogo. Foi de bola parada o gol boliviano e o argentino. Mas isso não é verdade. O time, pela característica de seus jogadores de ataque, foi feito para jogar com a bola nos pés. A partida foi péssima e o empate com um time medíocre como o boliviano evidencia isso. É preciso um pouco mais de cuidado com as necessidades táticas do time para criar um ambiente ideal para que se extraia o máximo que Messi possa render fora do Barça. Também é preciso que essa busca pelo ambiente ideal para a "Pulga" não prejudique outros setores, inclusive o ataque. Lavezzi e Tevez são excelentes jogadores lá fora, mas se não forem bem utilizados, rendem aquilo que se viu na estréia da anfitriã na Copa América: jogadores razoáveis e até ruins.
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